Minha primeira vez
Abril 28, 2009
Existe uma nostalgia gostosa nas primeiras descobertas. Aqui vai uma singela lista que, assim solta e despretensiosa, parece tão sem graça mas, para mim, é o que tenho de mais valioso.
A primeira paixão
Tatiane. Eu devia ter uns cinco anos de idade. Por alguma razão, aquela garotinha de sorriso largo e sem os dentes da frente me fazia ter vontade de ficar do lado dela. Eu ainda era uma criança e não sei se existe paixão nessa idade. Não sabia o que era um beijo e muito menos sexo. Mas era fascinado por aquela menina. Inocência pura.
Os primeiros amigos
A galera da rua: Cássio, Noninho, Mauro, Bibo e Júlio. A vida com eles era uma festa. Bons tempos.
A primeira bicicleta
Caloi Cross azul com lindos pneus balão azuis. Mas eu morria de inveja era dos pneus vermelhos da do mano.
O primeiro baixo
Feio de doer. Magnus (uma marca nacional que nem existe mais). Tinha captadores de guitarra (!) e um som tenebroso. Mas, pra mim, era lindo.
O primeiro beijo
Com a Alessandra. Colega de escola do mano. Numa das festinhas na garagem do Cássio com direito a dança com a vassoura. Achei muito, muito esquisito…
Primeiro “chão” de moto
Com quinze anos. Fui fechado sem dó nem piedade no centro da cidade por um carro de São Borja. Voei por cima do carro e cai do outro lado. Sem capacete. Nasci de novo apesar de quase matar minha mãe.
Primeira moto
A ML 125 do meu pai que implorei pra ele me deixar andar se eu desse um tapa nela que estava parada e juntando poeira na oficina
Primeira vez
Com uma pessoa linda e amiga. Foi bom. Sem data e nem nomes, por favor…
Primeira surra
Quando era muito pequeno. Inventei de encrencar com um bando de guris que estavam na pracinha de brinquedos e um deles, bem mais velho, me acertou em cheio e me deixou caído me retorcendo no chão. Achei uma covardia e fiquei puto da vida. Mas não podia fazer nada. Eu era menor e estava em menor número.
Primeiro olho roxo
Num bar em Santa Maria. Um amigo encrencou com uma turma de malucos e eles vieram pra cima de mim. Não deu tempo de fazer nada. Só vi quando o cara estava em cima de mim. Gelo.
Primeira perda
Meu avô materno que eu adorava. Fiquei desolado por um tempo e depois criei o hábito de visitar o túmulo dele pra conversar. Até hoje.
Primeiro show
No primeiro show de calouros de Santiago, tocando Cascaveletes…
Primeiro porre
Num show do colégio estadual em uma noite gelada de inverno. Subi no palco completamente bêbado. Um fiasco.
Primeira revista pornô
Na casa do vó. Fuçando em um caixa de papelão debaixo da cama do tio Júlio. Era uma aventura. Ficava gelado só de pensar que poderia ser pego vendo aquelas coisas “impóprias”.
Primeira droga
Maconha. Junto com o Abdione e um maluco que tinha vindo do Rio de Janeiro. Soltei a fumaça como quem fuma um cigarro comum. Foi engraçado ver os caras desesperados tentando caçar no ar a fumaça que eu tinha soltado. Achei uma bosta.
Primeiro trabalho
Com meu pai. Na oficina. Eu adorava e aprendi muito.
Primeiro chefe de verdade
O Wagner. Quase um pai.
Primeiro namoro “sério”
Com a Clarissa. Uma linda menina de cabelos negros. Eramos muito novos.
Primeira vez que fui roubado
Minha moto. Na casa da Clarissa em Santa Maria. Quando desci e ia embora, cadê a moto?
Primeira decepção amorosa
Com a Clarissa. Não lembro nem o motivo. Foi o que ocasionou o primeiro porre daqueles de perder o rumo.
O primeiro grande porre
Na casa da Aline. Depois de tomar uma garrafa de rum inteira no bico. Fiquei mal, muito mal.
O primeiro carro
Um fusca cor de qualquer coisa. Andava de lado nas estradas pro Caiguaté…
Primeiro show de rock
Do TNT no Gremião de Santiago. Tinha uns 14 anos. Fiquei vidrado. Foi a primeira vez que pensei “Caralho… eu quero fazer isso pra viver”
Primeiro CD gravado
Na coletânea ELO Um volume 2 em Santa Maria. O show de lançamento foi um fiasco, na antiga rodoviária. Contando os garçons devia ter umas 20 pessoas na platéia.
Primeira banda
Aos 15 anos. Com a turma da época. Ganhamos o primeiro lugar num show de calouros no ginasião da cidade. Acho que era uns 100 pilas de prêmio. Gastamos tudo em pizza e coca-cola…
Primeira vez que chorei por amizade
Quando vim embora pra São Paulo, lendo uma carta do Ricardo.
Primeira casa em São Paulo
O porão da dona Orilda. Não dava pra ficar em pé sem bater a cabeça no teto. A segunda casa foi um inferninho perto da Augusta, só pra constar.
Primeira vez num puteiro
Calma. Foi a trabalho. O dono da zona em Santiago queria de todo jeito que nossa banda tocasse lá. Foi até falar com nossa mãe e justificar que era uma casa de família… Bom, a mãe não deixou e, claro, fomos escondidos.
O primeiro contato com morte
Com uns 14 anos eu acho. Apareceu um camarada lá em casa pra deixar umas fotos pro meu pai. Pacote aberto e tal. O pai não tava e ele entregou pra mim. Claro que eu fui ver o que era. Era meu tio enforcado no galpão dos fundos da oficina do pai. Fiquei MUITO impressionado.
Primeiro CD
Do Sepultura, não lembro qual era. Minha mãe deu um super DVD Player de presente pra mim e pro mano e de quebra veio o CD. METAL!
Primeiro vídeo-cassete
Um primor. Controle remoto com fio e tudo. Coisa fina.
Primeiro filme alugado
Dia dos namorados macabro. Assistimos inteiro em PB pois a porra do vídeo estava em PAL-M e ninguém sabia mexer naquela joça. Depois descobri, claro
Primeira cena de sexo
No filme do Conan, na Tela Quente (literalmente). Só lembro da cara de vento dos meus pais enquanto o Conan descia a lenha numa bruxa ou algo parecido. Eu devia ter uns 6 anos. No outro dia disparei um comentário enigmático com os amiguinhos da rua: “Eu só não entendi aquela parte que o Conan estava BRIGANDO com a bruxa” Huahuahuahuahua. Alguns riram da minha cara, outros fizeram a mesma cara de vento dos meus pais…
Primeira vez que andei de avião
Vindo pra SP depois de conseguir um trampo. Achei lindo. Fiquei hipnotizado. Hoje cago nas calças só de pensar em entrar numa porra com asas.
Primeiro filme pornô
As escondidas em casa. Nem lembro o que era. Só lembro que tinha um cara com um bigodão anos 70 e uma mina tomando uísque e fazendo um trabalho “oral” no rapaz. Eu lembro de ter pensado “Isso deve estar ardendo”…
Primeira vez que vi o mar
Com 15 ANOS! Em Santa Catarina. Foi antipatia a primeira vista. Me senti um alienígena no ambiente praiano… queria mesmo era estar trancado no quarto com meus gibis e meu computador…
Bom… tem mais um monte, mas pra uma primeira vez que escrevo algo do gênero, está bom.
Abril 28, 2009 at 3:57 am
hahaahahah adorei a coleção/seleção de primeiras vezes!
a gente nunca esquece, ne? rsrsrs
Abril 28, 2009 at 6:00 pm
É sempre bom lembrar. Esse tipo de coisa, como disse um amigo, nos torna mais humanos. : ) Que bom que gostou.
Abril 29, 2009 at 9:54 pm
Viadinho virjão
Abril 29, 2009 at 10:19 pm
Insultos vindos de fonte fidedigna e confiável são toleráveis. ; )