Pornô para mulheres?

Abril 12, 2009

femporn11

Saiu uma matéria interessante na Época sobre algumas diretoras de filmes pornô “para mulheres” e sobre esse suposto nicho de mercado. Sinceramente, eu acho que a questão não é necessariamente o gênero. Isso coloca tudo em uma perspectiva por demais simplista. No fundo é meramente uma questão de qualidade, como tudo nessa vida de meu Deus. (caralho, citei Deus num post sobre putaria…e num domingo de Páscoa! Fodeu)

Ok. Existem algumas considerações e argumentos. O homem, por exemplo, na sua maioria, consume pornografia indiscriminadamente. Se tem uma gostosa trepando já está ótimo (as vezes nem precisa ser tão gostosa assim). Não importa se o cenário é de papelão e isopor e o figurino e a história praticamente inexistem. Mas estamos falando de trogloditas infelizes que resumem o sexo e a sedução a um pau encravado numa vagina. Ponto. Um universo cheio de nuances e possibilidades reduzido a sua forma mais banal. E a parte mais triste é que, para estes, a mulher se resume em uma vagina. E não, isso não é um papo feminista. Mulher objeto é uma delícia, todo mundo gosta, até as próprias. O negócio é que a mulher é um parque de diversões ambulante. Resumi-las em uma vagina é como ir a Disney e andar em um único brinquedo. O homem médio, misteriosamente, não se dá ao luxo de criar um universo sexual em torno da mulher. Os caras não entendem que uma preliminar começa desde o momento em que você encontra sua mulher (ou alguma mulher, cada um com seus problemas) pela primeira vez no dia, ou pela primeira vez na vida. O jogo da sedução e o seu entorno é muito, mas muito mais divertido que o gran finale (que é indispensável, claro). Eu sou suspeito pra falar pelo fato de ser um fetichista curioso e assumido mas, pelo amor dos meus filhinhos, as mulheres tem um corpo inteiro e todo um universo erótico que as rodeia. Elas também tem pernas, mãos, bunda, costas, peitos, boca, cabelos, desejos, fantasias, fetiches (raras), taras e por aí vai.

Dito isso é óbvio que 90% da pornografia é feita por homens médios para homens médios (você sabe que não estou falando do tamanho do pinto).

Mas analisando essa falta de visão do homem médio, dá pra dizer que é muito mais uma questão de falta de requinte e qualidade do que uma coisa fatalista de gênero sexual. Não que eu seja o cara mais requintado do mundo mas eu detesto os filmes nacionais e a maioria dos norte americanos. A produção é tosca e os filmes se resumem a um festival de penetrações tresloucadas sem motivação e sem nexo. Mas por que isso acontece? Fácil. Produção em massa e com custo baixo. A pornografia, como ela é hoje, é uma mina de ouro. Gasta-se muito pouco pra fazer umas 6 cenas (trepadas) com 12 atores (ou mais, dependendo do gosto do fregues) em um motel barato. Empacota-se essa “super” produção e pronto. Basta recolher as moedinhas. Aliás, essa é a receita básica do pornô nacional. E com o avanço da tecnologia digital ficou ainda mais barato embarcar nessa onda.

Pouquíssimas produções norte americanas se destacam. Tem filmes muito bons, do final dos anos 70 até o final dos 80 que primavam pela produção bacana. Clássicos como O Diabo na Carne de Miss Jones, Atrás da Porta Verde e Garganta Profunda, entre outros. O grande lance é que, na pornografia, o avanço da tecnologia e o barateamento da produção teve um efeito devastador na qualidade fazendo com que a ordem do dia passasse a ser a velocidade e o barateamento da produção. Daí a enxurrada de filmes terríveis. E isso também contribuiu pra afastar as mulheres da pornografia. É como uma frase que vi na entrevista: “As mulheres não viram os filmes certos”.

E sim, a internet e sua privacidade, graças a Deus (de novo não!), contribuiram demais, para que as moças pudessem matar sua curiosidade e, por que não, liberar suas fantasias e descobrir o que as excita…

Aliás, a internet é uma benção no sentido de permitir que as pessoas se dispam de preconceitos (trocadilho hein?). O fenômeno que surgiu com a web foi justamente o sexo amador. Um nicho com o qual as grandes produtoras não tem como concorrer. As pessoas passaram  a gostar de ver pessoas como elas, comuns, realizando suas fantasias, trepando e fazendo o diabo… ou o que o diabo gosta. Isso é maravilhoso no sentido de mostrar as mulheres que elas não precisam ser uma espécie de ginasta na cama e nem terem peitos do tamanho de melões e um corpo “sarado” (como eu odeio essa palavra) para serem desejadas.

E o fenômeno não para por aí. Ele acabou saltando pra vida real. Tem um monte de sites por aí que compram vídeos de você meu querido leitor trepando com sua namorada, noiva ou seja lá o que for. E pagam bem. Desde que você se disponha a dar a cara pra bater.

Quer coisa mais significativa que o fenônemo do Dogging na Inglaterra lá pelos idos de 2004 ou 2005? (que persiste até hoje). Eu explico pra você, meu caro coroinha. Dogging é o seguinte: Você sai de carro com sua parceira e vai até um lugar de prática do dogging. Esse lugar é geralmente um parque, um estacionamento ou algo que o valha. Lá dentro você começa a bolinar sua parceira e a ideia é deixar que as pessoas se aproximem do carro para ficarem observando. Claro, como toda prática libidinosa, tem lá suas regras de conduta. Leia aqui. Resumidamente é uma prática de exibicionismo e voyerismo que cresceu demais com a internet. Hoje existem milhares de sites que reúnem os participantes que marcam locais de encontro pelos sites. Aliás… isso dá um bom uso do google maps hein? Será que já tem?

Diz a lenda que esse fenômeno veio pro Brasil, provavelmente com menos força. Dei uma fuçada no Orkut e encontrei alguns brazucas desinibidos a adeptos da festa.

Enfim, o que eu quero dizer é que não existe pornô para homem e pornô para mulher. Eu acho que a internet colocou as mulheres como consumidoras de erotismo que só contribuem para elevar o nível da industria pornografica. Se você parar pra ver (literalmente) dá pra perceber que já há muito tempo existem filmes pornôs muito bacanas que podem agradar as moças. Os franceses e os alemães são os melhores. Melhores em que sentido? Bom… eles tem uma história, uma fantasia, um fio condutor, tem uma produção mais cuidada com belos cenários e muita, mas muita sacanagem inteligente onde as mulheres não são vistas como apenas uma vagina a ser penetrada.

Leia aqui a entrevista na Época. (tem uma tabela comparativa interessante no final)

As diretoras citadas na matéria:

Anna Span da Easy On The Eye

Erika Lust da Lust Films (ela também escreveu um livro sobre o assunto)

Alison Lee, organizadora do Feminist Porn Awards

Tristan Taormino da Puckerup

Petra Joy da Strawbeery Seductress

Candida Royalle da Femme Productions

One Response to “Pornô para mulheres?”

  1. Carolina Says:

    Oi Guilhes, espero que vc leia a tempo.

    Sou repórter da Rádio Metodista, em São Bernardo SP, e estou fazendo uma matéria sobre diferenças entre homens e mulheres ao assistir filmes pornô. Lendo sua matéria, achei que seria uma boa ter seu ponto de vista na reportagem. Vc toparia?

    Seria umas três perguntas, coisa rápida, por telefone. O probleminha é o tempo: ou hoje (10/09), sexta (11/09) ou segunda (14).

    Se vc puder, por favor entre em contato por email.

    Obrigada!


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