Adeus, blog

Fevereiro 11, 2009

Calma. A princípio, parece uma daquelas notícias que só te dá motivos para comemorar. A questão infelizmente não trata de tirar do ar o blog deste que vos escreve quase todos os dias com sandices e capítulos de novela mexicana.

Ainda não é hora de parar. Escrever é bom, é uma forma de lidar com as coisas que nos assombram no dia-a-dia. Mas o assunto é um pouco maior que isso.

Lendo a Wired de alguns meses atrás, me deparei com um artigo interessante justamente sobre a blogosfera. Sim, minha leitura está sempre atrasada. É inacreditável o volume de coisas que vão acumulando. A Wired, que faço questão de receber em casa (apesar de estar disponível completinha no site) , é uma que vai empilhando pelos cantos. Isso sem contar  a quantidade de feeds que acumulam em meu rss reader. Ainda bem que existe um panic button para limpar algumas coisas. Um panic button que te faz tu te sentir culpado com a sensação de estar perdendo alguma coisa. A era da informação é cruel nesse sentido. A sensação de desinformação é cada vez maior e mais angustiante.

O artigo é taxativo em seu título: Mate seu blog. Taxativo e bastante lúcido. É a coluna “start”, minha predileta. É sempre, sempre polemissíssima. Uma pena que é breve, curta demais.

A questão é que a brilhante idéia de dar voz a multidão através dos blogs, hoje, não funciona mais. Foi bacana em 2004. A blogosfera hoje é impessoal. Foi incorporada pela imprensa, campanhas de marketing, campanhas publicitárias e por aí vai. A blogosfera foi comprada, tardiamente (como sempre), pela mídia e incorporada ao dia-a-dia das redações. A prova maior disso é buscar pela lista dos top 100 blogs no Technorati.com. É certo que na lista figuram, em sua maioria, blogs de colunistas de grandes jornais e revistas, empresas, etc. A verdadeira voz da multidão se perdeu, não consegue se fazer ouvir de igual para igual.

Um exemplo: em 2002, uma busca na web pelo termo “Mark” colocava o webdeveloper Mark Pilgrim acima do autor Mark Twain nos resultados. Isso era uma das coisas que fazia do ato de blogar uma coisa tão interessante. Hoje, uma busca por Barack Obama, por exemplo, provavelmente trará como resultado uma página da Wikipedia, um artigo da Fox News ou alguns resultados de sites profissas como o politico.com. As chances de uma postagem de um blogueiro comum aparecerem nos resultados?  Basicamente zero.

Além disso, o blog ainda alimenta a forma de vida mais baixa da web, o comentário anônimo e ofensivo.

Apesar de ótimas plataformas como o próprio wordpress, a idéia inicial dos blogs era oferecer a possibilidade de publicar textos na web sem exigir muitos conhecimentos específicos. Daí, no começo, a falta de possibilidades mais elaboradas como inserir fotos, áudios e tantos outros features.

Então apareceram os sites sociais que ofereciam suporte a outros tantos recursos multimídia como o Youtube, Flickr, etc… acabando com esta lacuna.

Eis que surge uma luz: o Twitter. Quem diria. Até então, eu não conseguia entender qual o grande diferencial da ferramenta. A culpa era dos exemplos que eu tinha como referência. Amigos, conhecidos e ilustres desconhecidos cujas postagens limitavam-se a coisas banais como “Hoje tomei café frio. Agora vou ao banheiro” ou “Estou com dor de cabeça, quero matar meu chefe”. Eu não conseguia enxergar as possibilidades diante de tal cenário tão pessoal e raso.

A grande vantagem do Twitter reside justamente em sua principal limitação: 140 caracteres em cada postagem. Claro, essa limitação tem uma razão de existir. A intenção é possibilitar que o cidadão possa se expressar utilizando até mesmo seu telefone celular para eventuais postagens longe do desktop. Mas qual seria a vantagem de tal limitação? Pé de igualdade.

Bogueiros tem de suar o mouse e o teclado para, eventualmente, figurarem em algum tipo de resultado de busca sobre determinado assunto. Tarefa quase impossível.

As postagens do Twitter não precisam esperar pelo bot do Google para serem indexadas. E a limitação que você usuário comum tem, é a mesma para o colunista do NY Times, por exemplo.

Então está mais do que na hora de migrar para o Facebook, Twitter, Fickr, etc… certo? Talvez.

O artigo da Wired está mais do que sensato mas o que ele não leva em consideração é o regionalismo. Apesar da web ser uma espécie de aldeia global, os nichos (santo Chris Anderson) ainda funcionam.

Um ótimo exemplo é a cidade onde nasci. Hoje, Santiago, no Rio Grande do Sul, tem uma característica peculiar surgida há pouco tempo. A imprensa escrita inteira (apesar de pequena) está presente em massa na blogosfera. No microuniverso de Santiago, pessoas influentes, formadores de opinião e a discussão de questões importantes que só dizem respeito a sociedade Santiguense são uma presença forte na web. Os blogs regionais são referência, mesmo que ainda para uma pequena elite que tem acesso aos computadores pessoais. Mas é certo dizer que é um fenômeno que funcionou. Hoje, os blogs locais são fonte de informação para as rádios locais e até mesmo conversas de bar.

Para alguns, os blogs são passado mas, para outros, a história está apenas começando. Creio que é um movimento natural.

Chegou a hora de dar um crédito e um chance para o twitter, ao menos para mim. E o blog continua, até onde der pra segurar.

Te vejo na web.

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