Mordendo a maçã
Outubro 4, 2008
A revista Época Negócios deste mês de outubro nos fez um grande favor publicando uma ótima e, infelizmente, curta entrevista com o principal sócio fundador da gigante Apple. O gênio Steve Wozniak.
Steve W. era a alma, a ética e o altruísmo da Apple. Sua desavença com Jobs começou justamente quando o próprio Jobs começou a transformar a empresa em um grife acerebrada. Em marketing puro e simples. Leia mais clicando aqui.
Vale e pane passar na banca e dar uma olhada. Existe uma versão online, no site da revista, mas como não poderia deixar de ser no retrógrado mercado editorial, esta disponível apenas para assinantes da revista. Ou seja, sem sentido algum…
Duas frases tremendamente apropriadas, sobre Jobs, só poderiam ser proferidas por Steve Wozniak:
“A companhia de Steve Jobs produz seguidores fanáticos, em vez de pensadores.”
Comentário: A mais pura e absoluta verdade. Vejam bem, não vamos generalizar como é meu péssimo hábito. Eu conheço muita gente boa, criativa e equilibrada que são felizes usuários de Mac. Mas apenas por opção. Como quem bebe Pepsi no lugar de Coca Cola. Mas também não deixa de ser verdade que existe uma maioria que idolatra seus Macs. Tratam seu standarte da maçã como seu mais precioso objeto de culto e fetiche. E, acima de tudo, seu símbolo de status, seu longo, másculo e reluzente falo.
Os produtos da Apple são exclusivos e caros. São sim um símbolo de status. Aliás, não dá pra tirar o mérito de Steve Jobs por tal feito. Ele foi talvez a primeira pessoa a tratar o mundo da tecnologia e da computação pessoal como um campo fértil para os conceitos de grife, status e moda. Antes dele, o que vendia um produto de tecnologia era simplesmente sua performance e suas capacidades.
Dito isso temos duas grandes vertentes hoje inseridas no “mundo Apple”. Os fanáticos cegos criados pelo próprio Jobs que atacam e desprezam tudo e qualquer coisa que não sai da mente de seu guru hipnótico. E também aqueles que convenciono chamar de “idiotas deslumbrados”. Os idiotas deslumbrados são aqueles que não precisam de tanta tecnologia ou inovação em suas mãos, mas tem uma necessidade absoluta em demonstrar que estão antenados, que são “cool”. Precisam demonstrar status e desprendimento de alguma forma. E nada melhor que um lindo Mac na mesa do escritório ou um Iphone no bolso pra causar boa impressão em quem orbita seu mundinho do dia-a-dia.
Basta parar para pensar um pouco. Um Iphone no bolso do casaco de algum executivo metido a besta hoje em dia é um símbolo totalmente equivalente ao que uma caneta tinteiro Mont Blanc o era há uns 40 ou 50 anos atrás. Explorar as capacidades tanto da caneta quando do Iphone é um mero detalhe. Os dois precisam apenas figurar. Estarem ali, como um símbolo. Um brasão do sucesso e de uma carreira supostamente bem sucedida.
E, claro, temos o terceiro grupo, já citado, que não se encaixa nestes dois estereótipos. As pessoas normais que tem um produto por escolha pessoal pura e simplesmente.
“Jobs nunca construiu nada, mas entende de ligar a tecnologia a negócios”.
Comentário: Woz conseguiu sintetizar de maneira brilhante e certeira quem de fato é o macaquinho de marketeiro da Apple. Jobs é um homem de negócios. Ponto final. E é missão de sua equipe de marketing torná-lo um gênio da tecnologia. Coisa que nunca foi.
Aliás, tomando como referência a primeira frase de Woz, onde ele afirma que a Apple produz uma legião de adoradores que não pensam, parece quase premeditada a campanha da Microsoft a favor de seu PC/Windows.
As campanhas da Apple sempre apelaram para a vaidade. Para o ser “diferente”. De fato para o status de ter algum produto Apple, indepentente da real necessidade e das reais capacidades do produto em questão.
E a nova campanha da Microsoft acertou em cheio apontando para o que você faz de interessante e relevante com seu computador e não uma coisa no sentido de “quem você é o quão bacana você é determinado pelo marca de seu produto”.
Assista e tire suas conclusões:
Genial não? Completamente contra a campanha preconceituosa, egoísta e estereotipada da Apple.
Agora, o mais engraçado é a justiça poética que permeia a velha (e idiota) discussão Apple versus Microsoft tomando como referência tudo que já foi dito aqui.
Macs são figurinha fácil em agências de publicidade e produtoras. Responsáveis por jobs onde a única intenção é fisgar um pobre consumidor pela vaidade, pelo desejo de ter algum tipo de produto de consumo anunciado em alguma campanha publicitária ou afim.
Já os PCs são figurinha fácil em centros de pesquisa, centros de inclusão digital, laboratórios, universidades e mais um sem número de empresas e instituições a serviço do bem comum e do crescimento da humanidade no lugar do culto ao ego.
Hirônico não é?
E antes que algum xiita “PCzista” ou “Macmaníaco” ao ler esse texto venho se rasgando de ódio ou amores já aviso: sou multiplataforma. Uso Mac e PC e acho os dois a mesma merda. Cada um tem suas vantagens e desvantagens, como qualquer coisa. Macs não me irritam e PCs não são a melhor coisa do mundo. O que me irrita é a falta de senso crítico e discernimento das pessoas nos dias de hoje.
I’m a person. Not a computer.
