“Dot coms” trintões e quarentões, preparem-se para reviverem seus piores pesadelos. Ao menos por algumas horas, em uma sala de cinema próxima a você.

Está saindo um filme sobre o pesadelo da bolha digital. Isso mesmo. Demorou não? A única vez em que vi algo semelhante no cinema foi quando o vilão de Missão impossível II (eita filme ruim da porra) torturava o mocinho até que finalmente sentenciou que seu objetivo mais maligno era apenas um e disparou a frase “Eu quero Stock Options!”. Lembro de gargalhar alto no cinema… ninguém entendeu nada. Eu já sabia naquela época que a bolha era uma piada e estava prestes a estourar (Guilhes, o visionário).

A questão é que esta saindo do forno a filme August, com o galãzinho Josh Hartnett (o vampiro do bem de 30 Dias de Noite), no qual ele encarna um papel dos CEOs amalucados do tempo da bolha digital. Um cara que ganha uma fortuna sem muito esforço e perde tudo no momento seguinte.

Confira a entrevista que saiu na Wired:

Wired.com: O filme parece ilustrar uma geração inteira dos visionários ponto com. Aqueles que ganharam e perderam fortunas antes do estouro da bolha em 2001. Você construiu seu personagem baseado nos tais sujeitos que você observou naquela época?

Josh Hartnett: Eu não tinha muita referência destes “tipos” mas o papel está super bem escrito e por isso não preciso tentar nenhum tipo de personificação apurada. Eu me recordo de estar em Nova Iorque nessa época em que os bacanões da fortuna ponto com, nos seus vinte e poucos anos, agiam como se fossem estrelas do rock. Eles saiam todas as noites, iam aos lugares certos, ficavam com as garotas certas, viviam o sonho.

Wired.com: E faziam festas de lançamento insanamente caras… (nota do Guilhes, recordo da festa de lançamento da Usina do Som: zilhões de pessoas, famosos, comida e bebida a vontade, shows de grandes bandas e até um sujeito que chegaria num helicóptero…será que era o Beni Goldenberg? : ). Sim senhores, também tivemos nossa bolhinha)

Hartnett: Sim, definitivamente. Eu me recordo disso e tentei me moldar a esse estilo e a atitude dessas pessoas que me pareciam muito “afiadas” e agressivas.

Wired.com: O engraçado é que, no filme, não fica claro em momento algum que diabos afinal a companhia do seu personagem faz.

Hartnett: Isso é uma omissão proposital. O que faz disso uma coisa interessante e forte é que era realmente assim, das histórias que eu ouvia. Quanto mais obtusas eram suas vendas, mais pessoas estavem dispostas e lhe dar dinheiro. Quanto menos você dizia, melhor. Eu gosto das falas de Tom (o personagem) no filme por que mesmo que você o detonasse ele não tem muito a dizer.

Wired.com: Então aqui estamos, sete anos depois. A internet é quente outra vez e Hollywood esta apostando em todo tipo de aventura.com. Você tem algum projeto seu voltado para a internet?

Hartnett: Não tenho planos imediatos. Mas estão acontecendo péssimas mudanças no negócio do cinema. Eu imagino qual será o futuro para os longa metragens daqui pra frente.

P.S. Tradução meia boca na raça. Depois dou um tapa. Mas acho que deu pra pegar a idéia.

Então? Vamos ao cinema? Acho que é parada obrigatória pra quem viveu (e trabalhou) nessa insanidade desmedida.

Assiste o trailer antes que o Youtube seja processado, perca milhões e comece tudo de novo: