A preguiça de pensar
Fevereiro 11, 2008
Essa semana, na relativamente famosa coluna final da revista Veja São Paulo, Walcyr Carrasco escreve sobre a sina dos desajeitados (leia aqui). Basicamente fala sobre os homens de hoje que não sabem trocar uma lâmpada, abrir uma lata de conserva, consertar o computador ou trocar um pneu.
Na verdade, essa inabilidade é pura e simplesmente preguiça de pensar. As facilidades da vida moderna e a tecnologia estão tranformando o homem (e as mulheres) em seres apáticos no que diz respeito a curiosidade e vontade de aprender como as coisas são e funcionam. Nossa capacidade de primatas, de resolver problemas, está indo pelo ralo.
As mulheres são perdoadas pelo fato de que por muito tempo lhes foi negada essa natureza de inquisição e questionamento, de curiosidade. Tanto é que temos poucas mulheres pesquisadoras e dedicadas a ciência ainda hoje.
Acontece que as pessoas são ignorantes não no sentido de falta de capacidade dedutiva e intelectual, mas por pura e simples preguiça de pensar.
Recorra a história da ciência e dos grandes pensadores e verá que todos eles eram pessoas comuns, talvez com um intelecto privilegiado, mas mesmo assim pessoas comuns que se dedicavam a observar. Grandes descobertas da ciência que mudaram o mundo para sempre foram fruto de observação atenta e curiosa.
Na coluna, Walcyr dá alguns exemplos como não conseguiu abrir um vidro de conserva e não saber trocar um pneu. Diz ele que na primeira tentativa de trocar um pneu entortou a lataria do carro e nunca mais quiz tentar novamente.
Vamos ao exemplo do vidro de conserva.
Não vou explicar o da troca de pneu. Esse fica pra outra hora.
Hoje, muitos alimentos enlatados, em vidros ou pacotes são fechados a vácuo. Por que, por pura constatação e observação toda a humanidade já deveria saber que o principal responsável pela deterioração de qualquer coisa (inclusive nosso próprio corpo) é o contato com o ar.
Dai fechar os alimentos a vácuo, retirando o ar da embalagem para que dure mais tempo nas prateleiras, fechado. Aliás geralmente na embalagem está escrito em algum lugar “fechado a vácuo”
O que acontece com o fechamento a vácuo é que você vai ter diferença de pressão dentro do vidro para com o ambiente externo. Essa diferença naturalmente faz com que a tampa fique bem presa dificultando a abertura. Não é a toa que em muitas latas hoje em dia existe uma pequena tampinha de borracha no centro da tampa. Essa tampinha de borracha você puxa com o dedo e ela revela um orificio na tampa. Imediatamente você ouve aquele FSSSSSSSSSSSSSS… é a diferença de pressão se igualando e, a partir daí você abre a lata com uma mão nas costas e chupando cana.
No vidros com tampa de rosca a situação é exatamente a mesma. Porém, em muitos deles, não existe essa facilidade do orifício coberto com uma borrachinha. O que fazer? Muito simples. Pegue um objeto chato e fino o suficiente (como a ponta de uma faca) e coloque no vão entre o vidro a tampa (de baixo pra cima). feito isso force a faca para fora tentando fazer com que a tampa de metal se deforme para fora. Isso é suficiente para que uma minuscula abertura se forme entre a tampa e o vidro e iguale a pressão de fora e de dentro. Você vai inclusive ouvir o FSSSSSSSSSSS. Feito isso é só girar a tampa com a maior facilidade do mundo.
Perceba que, se as pessoas parassem um pouco para raciocinar, ler, pesquisar (hoje a internet tem tudo) e observar constatariam tudo isso que eu disse naturalmente. Mas o problema é que a humindade inteira está cada vez mais com um preguiça tremanda de usar o cérebro.
Vamos todos virar macacos, espere pra ver.