Verso
Setembro 17, 2009

“Paixão absoluta
Sempre envolto
na fantasia de
sombras brancas e geladas
atrás das árvores do caminho
Para bem longe
da Estação quente
o frio me abraça
Agora não vejo mais nada
apenas as pernas
à caminho da escuridão
dos sapatos escarpins
Súbito desejo
Pés caminhando
pela bruma
Garrafas se estraçalham
o sangue não segura nas veias
Sai
para mudar a idéia de cor
e para salvar
a música não existe
sem ouvintes
espalhados em poças de sangue
dançando sem parar
Sons estranhos
Negros sons
O defeito efeito do absurdo
intransigente apocalíptico
Gritos no espaço
das idéias
que transformam
o mundo das idéias
blá-blá-blá
intermináveis discursos
Garotos das estradas
que buscam
aventuras impossíveis, cinematográficas
subtamente encontram
o fim do túnel
para sair do escuro
Passos
nas Estação do Trem
rumo à
Paixão Absoluta”
Isso mesmo. Aquele em espiral na contracapa do disco dos Cascavelletes. Parte da história do rock gaudério e da minha história também.
p.s.: Voltei.
Pai
Agosto 9, 2009
Somos perfeitos idiotas, sempre. Até o fim da vida. É sempre assim. Nunca paramos por alguns instantes para refletir sobre o real significado que cada pessoa em nossa vida tem pra cada um de nós.
As pessoas vem e vão e, no fim, a lamúria é sempre a mesma. Uníssona. Não expressamos o que sempre quisemos expressar em função de uma vergonha burra e cruel. Um pudor que aperta o coração em todos os nosso dias.
Meu pai não cabe em palavras, nunca caberá. Nunca olhei nos olhos dele e falei que ele é meu exemplo. O homem que me faz ter orgulho de ser quem eu sou. Um homem que me deu um exemplo de honestidade, humildade e humanidade.
Meu pai é um exemplo de ser humano. Ele não sabe, mas sempre, todos os meus dias foi e será sempre meu herói.
Não lembro de nunca te-lo visto falando um palavrão ou praguejando contra alguém. Nunca. Absolutamente nunca.
Nunca conheci ninguém que não gostasse dele. Nunca conheci ninguém que não confiasse nele.
Pra mim ele é o homem mais lindo e puro desse planeta podre e cheio de animais disfarçados de seres humanos.
Eu iria pro inferno por ele. Morreria por ele.
Meu pai é uma pedra preciosa, um mistério, algo que, talvez aconteça uma vez em um milhão de anos.
Eu lembro do perfume dele, quando era criança. Lembro da voz, do carinho dele, mesmo que as vezes distante.
Um homem que trabalhou duro pra dar aos filhos uma vida decente. Um homem que suportou inimagináveis provações dentro da família.
Eu faço questão de dizer a todos que conheço que admiro meu pai pelo que ele é. Uma pessoa boa, forjada na simplicidade de um homem do campo.
Mesmo diante de todos os problemas nunca o vi triste, cabisbaixo. Sempre teve um força colossal, coragem e integridade. Uma rocha, cheio de ternura e cheio de mistérios. Feliz em seu mundo de coisas simples e modestas. Sem ganância, sem inveja, sem ciúmes.
Nunca o vi chorar, nunca. Quando seu pai morreu falei com ele ao telefone. Foi o dia mais triste da minha vida. Eu ouvi meu pai chorar e aquilo me cortou o coração de uma maneira inimáginavel. O homem que eu mais amo estava impotente, inconsolado e sentindo-se fraco. Falho. Por alguma coisa que não conseguia controlar. Ele apenas queria dizer que “fiz o que pude”.
Tudo o que eu queria era estar do lado dele pra dar todo o carinho e consideração que ele merecia naquela hora.
Me senti péssimo. Eu não tinha o direito de estar longe dele nessa hora pois ele esteve ao meu lado em todas as que eu precisei. Eu sei.
Pai, não é muito. Eu só consigo dizer que te amo. E que te quero feliz sempre. Mesmo longe tu está comigo, em todas as minhas decisões, em todos os meus pensamentos pois tu me ensinou a ser um homem bom.
Muita saudade…
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Post de 2006. Hoje é dia dos pais e vale repetir.
Cinema de ação
Julho 31, 2009
Daniel Crê Que
Chris É O Dono.
Cary Garante.
Brad Fita
o que Bruce Lê.
Edward Nota
o que Audrey Tatua.
Greta Garba
o que Bette Deve.
Penélope Cruza,
Adrienne Corre e
Al… Patina.
Federico, Ferino
Pede que Gary Cole
em Ronald
Afinal,
Ronald Reina
Eu quero acreditar
Julho 7, 2009

Cá entre nós… alguém ainda acha que os trending topics significam alguma coisa? (dá uma olhada na imagem ali em cima)
É a coisa mais suscetível a manipulção e flood que eu já vi na web nos últimos tempos.
Depois da palhaçada do #chupa, vitaminado pelo inocente Ashton Cushter, dá pra ver que trending topics não devem ser levados a sério. Uma pena. É um ótimo exemplo do que o mau uso pode fazer com um recurso que poderia ser muito útil.
#Picas pra internet…
Tchau
Olhos claros
Julho 7, 2009
teu teimoso olho
insiste em brilhar
nesse espelho
profundo mar, azul, do olhar
em dias de cinza,
te sentes a apagar
não seja ranzinza!
és bela!
mesmo a amargar.
se te falta o dizer,
cala-te
tua maior decência
não está na tua palavra
mas nesse teu vivo em brasa
alinhavado em inocência
mas não te enganes, querida!
te põe a pensar
mesmo mansa, tu faz ferida
no incauto que cruzar
nesse teu caminho
de louros no cabelo
e pernas doces como o vinho
lembra-te
a palavra é teu flete
tua beleza
Essa é teu flerte
estas armada, boneca
sempre articulada
amada…
Do amor velado
Julho 7, 2009
Em tanto tempo
Só agora
Levanta tua voz
Me derruba
Sumi
em teus gritos
Fali
em mim
Falhei
Chorei
Enquanto isso na terra de Marlboro
Julho 7, 2009

Pois é criançada, a vida anda bem difícil. Muitas decisões importantíssimas pra tomar e a cabeça a mil por hora. Não tenho tido muita paciência com o ato de blogar. Estou usando meu tempo ocioso para pensar, encontrar direções e tentar acertar em alguma coisa. Estou no meio da crise dos trinta e poucos. Mas seguindo a sabedoria popular, e o chavão, é na crise que as coisas acontecem. Enquanto isso fiquem com uma baita foto. Eu e meu estimado amigo Oracy Dorneles. Na ocasião recebi em mãos e com dedicatória seu belíssimo novo livro. Um tratado da poesia pra lá de especial.
E antes que alguém pergunte, segui o conselho de um sábio visitante do blog. Fui carpir um pátio.
De quebra um belo poema do próprio Oracy (bastante adequado a ocasião)
Póstumo 1
Hoje estive no meu túmulo
Retângulo de morte
Sim
Sujo barrento descascado baço
(chorei um oh! tenebroso)
Nem fui notado
Tive saudade de mim
Confissões
Junho 23, 2009

Meu isolamento espiritual não foi exatamente como planejei. Se é que havia planejado alguma coisa.
É curioso e reconfortante a maneira como algumas pessoas mais sensiveis e próximas perceberam minha distância. Estava presente de corpo na maior parte do tempo, mas sempre fechado em um turbilhão de pensamentos tentando encontrar respostas para as perguntas que nem mesmo eu sabia quais eram.
Não consegui conversar com todos aqueles que gostaria sobre todos os assuntos que gostaria. Mas eu soube que, desde o principio, a distância geográfica e a volta à terra natal eram necessárias para uma viagem muito maior. Uma viagem interior pra tentar descobrir quem eu fui, quem eu sou e, acima de tudo, quem eu quero ser.
Descobri que sinto falta de pessoas que contam histórias, pessoas com memórias, pessoas interessantes e envolvidas com questões muito maiores do que as futilidades mundanas. Meus amigos e os círculos de convivência atuais que não se ofendam. Peço um mínimo de compreensão em uma hora tão complexa. Talvez todos eles tenham histórias pra contar, talvez todos eles tenham pensamentos acima do dia-a-dia e questoes existenciais e filosoficas intrigantes e latentes. Talvez seja minha única e exclusiva culpa não enxergá-los dessa forma. Eu percebi que tenho pavor de julgamento e, talvez, como defesa, saia julgando, condenando e sentenciando de antemão todos que passam por meu senso crítico enfurecido. Talvez não de chance alguma as pessoas para que contem suas histórias além das coisas fúteis e inúteis que permeiam as relacões pessoais e de trabalho de uma cidade tão grande e rica mas ao mesmo tempo tão vazia e patética. Vazia de valores humanos realmente interessantes. As conversas ficam nas futilidades e idiotices da rotina de uma metrópole humanamente morta. O trânsito, a chuva, as novidades tecnológicas que pouco acrescentam…
Sabe, me dei conta de como é idiota ficar postando babaquices supostamente “interessantes” no Twitter só pra cumprir tabela, pra tentar disfarcar-se de pessoa esclarecida e inteligente dentro de uma certa circunstância, apenas para fazer parte de um grupo o qual nem sei se realmente quero fazer parte.
Percebi que consumo minha energia tentando provar alguma coisa para as pessoas, que fico tentando me passar por algo que não quero ser. É incrível como em certas áreas de atuação e alguns lugares específicos aparecem necessidades e regras que pouco ou absolutamente nada acrescentam a ninguém.
Como disse antes, me dei conta que sinto falta de pessoas mais vivas, humanas. Por alguma razão, parece que me contentei em estabelecer relações que não ultrapassam o patamar da superficialidade e quem sabe até da medicridade. Eu sei que critico ferozmente muita gente, que julgo impiedosamente. Mas talvez eu tenha medo de me aprofudar em muitas relações justamente pelo pavor de também ser julgado, rejeitado.
Mas também aprendi da boca de alguém que admiro muito que tenho de me impor. Que preciso existir, acreditar em mim. Acho que já está mais do que na hora de me dar o crédito e deixar de acreditar que qualquer idiota que enche um currículo de mentiras ou se faz passar por sofisticado e interessante falando da exposição de arte contemporãnea que viu em algum cú de galeria da moda é mais do que eu. Descobri que me impressiono fácil demais com coisas desimportantes, com pessoas desimportantes. Tenho de parar de enxergar as pessoas de longe. Tenho de ver mais de perto pra saber exatamente quem são os idiotas e quem são aqueles que valem a pena.
Sabe… Talvez eu seja mesmo um artista como um espírito iluminado fez questão de me fazer ouvir. E eu sei que tenho negado isso com todas as minhas forças. Outra vez por medo de dar a cara pra bater. Medo de ser comparado com um monte de gente medíocre que se diz grande coisa mas não tem um pingo de sensibilidade. E eu sei que sensibilidade é algo que tenho de sobra. Talvez eu precise me permitir mais e deixar de dar ouvidos aos outros e, principalmente, a minha autocritica que praticamente me acorrenta ao chão toda vez que tento me expressar.
Também descobri que talvez eu tenha gasto muito da minha energia tentando fugir de uma relação complexa de mágoa dentro da minha família. Talvez o resultado de onde estou e quem sou hoje é fruto de um esforço imenso de fuga onde, em momento algum, parei pra pensar onde queria chegar. A única força que me movia era fugir. É triste e dolorido pois me dei conta que hoje mal consigo falar com minha família, me expressar, dizer o que sinto e pedir ajuda. Descobri que sofro com fantasmas horríveis do passado quando volto a casa onde cresci. Basta pisar ali e um mar revolto e crescente de ódio, frustracão e angústia me entorpece o pensamento e me deixa completamente paralisado. Fico calado. Apenas calado tentando entender tudo, sempre sem sucesso.
Eu preciso me aceitar. Talvez precise me descobrir. Quem sabe eu sou um artista de fato. Conversar com a Suzana me fez ver como é bom olhar tudo outra vez com os olhos de crianca, sem censura, sem o rancor negro que brota dentro de mim. Sem pré julgamento. É preciso deixar as coisas fluirem pra perceber pra onde se pode ir.
Eu não sei porque acabei indo por um caminho inverso. O caminho das coisas nas suas respectivas caixinhas, da balela da internet que vai mudar o mundo, das redes socias que são a luz do futuro e mais um monte de coisas que sim, sao interessantes, mas não fazem meu espírito faminto crescer um centímetro que seja. E aí eu pergunto. Em que parte do caminho ficou o prazer?
Meu trabalho atual é medíocre sim e, arrisco dizer, permeado de algumas pessoas medíocres. Medíocres não por opção ou ignorância. É uma mediocriadade irmã da minha inação. Uma mediocridade e permissividade do raso que é inconsciente. Isso por que tanto eu quanto alguns que me cercam se deixaram entrar no ritmo zumbi de uma grande cidade onde você tem de fingir quem você não é 24 horas por dia.
Talvez seja por isso que eu só encontre o prazer na confusão da embriaguez. Nas línguas soltas dos bares e nas madrugadas solitárias escrevendo poemas, anotando sonhos e buscando alguma coisa que não faço idéia do que seja.
Acho que estive me enganando por muito tempo. Talvez porque o lugar onde eu estou não me dê um mínimo espaço para ser um artista. Talvez eu tenha criado o eu tecnólogo como uma forma de me proteger. Ser aceito, sobreviver. Não sei. Talvez seja preciso me negar pra poder me aceitar.
A única coisa que sei é que não dá mais pra continuar onde estou. Mas tenho medo de arriscar justamente pelo pavor de não acertar e ter de voltar pra um lugar que hoje assim como pouco me conforta muito me apavora. Mas eu preciso acreditar em mim. Eu tenho de saber que sou capaz, que sem emprego ou trabalho ou o nome que seja não vou ficar.
Eu fugi até hoje. Acho que agora é hora de parar e me construir. Acho que isso já é um grande comeco. Difícil sim. Doloroso e terrivelmente agustiante. Mas necessário.
O que mais me abalou nisso tudo é me dar conta que eu tenho uma necessidade imensa de pessoas mas, por alguma razão, eu não dou chance a ninguém para que se aproximem e desnudem suas almas. Ou talvez eu esteja mesmo cercado de mediocridade. Talvez um pouco dos dois.
Eu preciso mudar minha postura em relação as pessoas para tentar reencontrar o prazer de encontrar. De outra maneira. Mas talvez as pessoas não tenham tempo pra relação ideal que imagino. Mas só sei que toda a mudança só pode e deve partir de mim. Apenas ainda não sei como.
Não suporto mais assuntos superficiais e mundanos versando sobre a vidinha cosmopolita e vazia da cidade grande. Eu quero almas. Eu tenho necessidade de alimento espirutual, de combustível criativo. Quero gente inteligente sem ser pedante e repetitiva. Eu quero gente que reflita, que tenha opinião e histórias próprias, escritas com o próprio sangue na própria carne. Não quero papagaios que fiquem repetindo frases, pensamentos, obras ou seja la o que for de outros. Eu não quero unanimidades e o censo certinho, educado e comum. Eu quero gente que tenha sangue vermelho e quente correndo nas veias.
Onde estão estas pessoas? Será que eu fiquei cego? Eu sei que só vou encontrá-las rompendo com meu mundinho confortável. Ou derrubando a muralha que construí a minha volta depois de tanto fugir.
Minha fuga desesperada e sem direção me levou à algum lugar. Um lugar que hoje eu tenho certeza absoluta de que é exatamente onde eu nunca quis estar. Ou o pior. Minha fuga me fez algo que eu nunca quis.
Talvez eu me foda e nunca encontre o que procuro. Talvez o idiota nessa história toda, o grande palhaço romântico e imbecil seja um só: eu mesmo.
Mas se não houver coragem eu nunca vou saber.
O mundo digital é um espelho do mundo real
Junho 6, 2009
Dia desses estava pensando com meus botões e cheguei, tardiamente, a uma dura conclusão. A internet, e todas as revoluções que ela desencadeou em tantas instâncias no modo em que vivemos, é uma dádiva e de fato uma revolução. Mas pra quem ? A resposta é simples. Para uma minoria relevante em certos aspectos mas completamente irrelevante em tantos outros.
A internet em todo seu esplendor é consumida e produzida por um clube fechado. E sim, estou nesse pequeno clube, querendo ou não. E tomar consciência disso é, no mínimo, desolador.
Por mais que especialistas e pseudo intelectuais digitais encham e boca para falar de inclusão digital a grande verdade é que esta esta ligada intimamente a inclusão social. A inclusão digital é altruista e muito interessante. No papel (ou na tela).
O batalhão (ainda assim pequeno e inexpressivo) de trabalhadores, pesquisadores e profissionais de web que faz a roda girar trabalham para eles mesmos. Ficamos discutindo sobre a nova onda tecnológica do momento, sobre o Iphone, sobre o Twitter na capa da Time, sobre o impressionante framework x ou y e tantas outras coisas apenas entre nós. A imensa maioria (ok… é redundante, mas é pra dar impacto…) das pessoas comuns e de baixa renda desse país estão completamente fora desse universo composto por produtores e consumidores que são, quase sempre, pessoas de um bom padrão de vida, que nasceram em condições boas, tem um belo emprego, um bom salário, acesso a educação de qualidade e uma condição financeira acima do razoável.
Computadores de ponta, cartões de crédito internacionais (pra comprar gadgets, músicas e livros nas lojas gringas), smartphones, GPSs e tantas outras coisas são produtos de luxo.
As iniciativas tecnológicas que pipocam por aí, quase na sua totalidade, servem apenas pra facilitar a vida e dar mais vantagens e quem tem mais condições. O que me entristece é que não vejo iniciativas no sentido oposto. De resolver as questões mais básicas de uma grande parte das pessoas.
E quando a inclusão digital acontece timidamente, nós, os primeiros que deveriam erguer as maos aos céus, nos comportamos como idiotas, tal qual acontece na vida real. Ai pipocam sites como bobagens no orkut ou os piores perfis do orkut pra que possamos reafirmar aos mais “desqualificados” que “esse universo digital não é pra você”. Criticamos ferozmente a orkutização do Twitter, nosso brinquedo que começa a ser maculado. Não vou ser hipócrita, eu entro nesses sites pra rir da falta de conhecimento das pessoas que não tiveram uma educação e oportunidades tão boas quantos as minhas. Este sermão também serve pra mim. O que me alivia a culpa é que saí de um cidade do interior sem perspectiva alguma, filho de pais semi-alfabetizados com empregos simples, lutei e cheguei em algum lugar. Batalhei pelo meu espaço tanto no mundo real quanto no direto ao acesso e a participação nesse imenso universo paralelo que é a grande rede.
Todas essas conclusões, volta e meia, me dão calafrios pois percebo que a internet brasileira (sinceramente eu não sei como acontece nos outros lugares) é produzida e consumida por um bando de filhinhos do papai e da mamãe que nunca passaram nenhum tipo de necessidade na vida. E isso só contribui para que cada vez mais continuemos tratando o universo virtual como um terreno para poucos, sempre pensando em como podemos faze-lo melhor, apenas para nós e esquecendo de um monte de problemas que afetam muito mais pessoas do que nosso clube fechado.
Tratamos com propriedade de assuntos que não fazem a minima diferenca para uma maioria. Nos comportamos um pouco como os jornalistas que muitas vezes trabalham e escrevem para seu próprio reconhecimento e para um grupo fechado que só atende pelos proprios interesses.
Basta conversar alguns minutos com um trabalhador desse Brasil pra perceber que ele não faz a miníma idéia de quem é Diogo Mainarid ou Reinaldo Azevedo assim como ele não faz a mínima idéia do que é o Twitter ou o Facebook. E se mostrassemos a ele todos esses sites, recursos e aplicativos ele provavelmente acharia tudo muito interessante mas terminaria concluindo que tudo isso não traz beneficio real algum pra ele.
Confesso que sempre tive vontade (ainda falta o planejamento) de trabalhar realmente em prol da verdadeira inclusão digital. Talvez escrevendo um livro em uma linguagem acessivel e pouco tecnica explicando como todo esse universo funciona e como cada um pode tirar proveito dele. Seria um livro distribuido gratuitamente claro, de preferencia impresso e não para ser “baixado”.
Dia desses saiu um livro colaborativo, escrito a varias mãos versando sobre ”Como funciona a internet”. O livro é bacana, interessante, mas foi escrito pelo pequeno clube que esta na internet. Para eles mesmos. Carregado de termos técnicos e coisas pouco práticas. Não estou dizendo que a iniciativa não foi legal. Mas falhou na questão básica que é mostrar a internet para quem está fora dela ou que pouco entende do assunto. Muitos assuntos no livro, linkando para verbetes em ingles. Uma lingua que ainda é privilégio dos bem nascidos que tem chance de viajar pra fora do país e fazer seu cursinho de inglês bancado pelo papai.
Acho que está na hora de acordarmos e enxergarmos a internet como algo para todos e que sim, ela pode resolver questões relevantes para muito mais pessoas que não sejam do seleto grupo dos mauricinhos disfarçados de geeks munidos de seus possantes laptops e Iphones.
E você? Conhece alguma alguma iniciativa bacana na internet que não seja elitista? Conte sua história. O que acha disso tudo?
Domingo é dia de…
Maio 17, 2009
Comer frango (ou galinha, como preferir…)

O livro intragável e o astrólogo
Maio 15, 2009

Eu confesso que pequei. Contrariando absolutamente todo meu ceticismo implacável e feroz, aceitei o fato de me submeter a um ritual que fica entre as fronteiras da ciência e do esoterismo. É sabido, ao menos no que diz respeito aqueles que me conhecem, que sou um cético por natureza. Adorador da ciência e do conhecimento. Admirador cego de Carl Sagan e Arthur Clarke, entre tantos outros “profetas” da evolução do conhecimento humano.
Sim. Fiz o tão popular mapa astral.
O que me surpreendeu foi ouvir de uma pessoa que não sabia quase nada da minha trajetória, gostos, e tantas outras variáveis uma descrição bastante fiel de quem eu sou, ou ao menos penso que sou.
Mas o que me deixou de queixo caído e de certa forma maravilhado foi conseguir ouvir em palavras claras muitas coisas as quais eu sinto mas nunca consegui traduzir.
Apesar de macular minha imagem não pude deixar de considerar uma experiência assustadora e, por que não, libertadora.
Mesmo me condenando ao terreno do obscuro preciso confessar: recomendo.
Sobre livros é um assunto semelhante. Trata-se de um daqueles testes bobinhos que povoam a internet e que todos adoram fazer, mesmo que não admitam.
A questão é: Que livro você seria?
O resultado da brincadeira também me surpreendeu:
Em primeiro lugar:
Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro… Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade – um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
“Memórias póstumas de Brás Cubas” (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.
Em segundo lugar:
A paixão segundo GH, de Clarice Lispector

Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também “A paixão segundo GH”, obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.
p.s. Fiz questão de grifar algumas coisas que, juro, ouço com frequência.
E você? Que livro seria? Faça o teste aqui.
Post inspirado pelo mesmo assunto no blog da Vivian Dias
Ser feliz é parecer feliz
Maio 12, 2009
O texto abaixo (bem lá embaixo) é de autoria de Arnaldo Jabor. Se não me engano deu as caras hoje, no segundo caderno do jornal O Globo.
O SEO do Globo não está lá essas coisas. Numa busca rápida, no Google, acabei surrupiando o texto de um blog terceiro que apareceu nos primeiros resultados.
Apesar do contexto ser completamente diferente, acredito que a questão cabe muito no que diz respeito a super exposição que os jovens tem hoje com a internet. Ser feliz, aparentemente, é aparecer. É marcar presença na grande rede mesmo que não se produza nada siginificativamente relevante. Mesmo que apenas na superfície.
Ainda sobre o assunto vi a manchete de capa da Revista da Semana que falava justamente sobre isso. Os jovens de hoje tem muito mais acesso a informação e muito mais exposição com os novos meios. Em alguns casos tem muito mais oportunidade e muito mais dinheiro mas não sabem o que fazer com isso.
Navegando por aí me deparo com muitos blogs de gente jovem, aparentemente bem sucedidos e que tem eco em suas vozes na rede com muitos seguidores no Twitter ou mesmo blogs “estabelecidos” e “conceituados”. Mas o que me causa um desconforto enigmático é como esses jovens constroem a sua própria imagem. São jovens que nunca tiveram um trabalho digamos formal, mas abrem pequenos negócios, muitas vezes sem chance alguma de sucesso, e se auto intitulam “gerentes de projeto”, “diretores de criação”, “CEOs” e por aí vai. Títulos impensáveis para alguém que acabou de sair da faculdade há uns 10 anos atrás.
O que me intriga é se de fato os tempos mudaram ou se toda essa festa da era da internet tem nos levado cada vez mais a um mundo de aparências onde quem grita mais alto e com mais pompa consegue ser ouvido.
Talvez eu, um macacao velho com 33 anos na cara, não compreenda essa mudança. Talvez esteja enganado. Mas me preocupa muito a prepotência dos mais jovens como especialistas em generalidades. Prepotência alimentada dia-a-dia na velocidade da banda larga. Aliás, li um artigo interessante sobre conflito de gerações no Imasters em algum momento, que falava sobre a falta de conhecimento mais profundo sobre alguma coisa por essa nova geração. (Geração Navio Vs. Geração Submarino)
O que de fato me assusta é que uma era do imediatismo está cada vez mais tomando forma. Era da decisão rápida, impensada. Talvez nossa época permita isso ou talvez essa geração atual vá dar com a cara na parece em algum momento. Talvez falte equilíbrio entre coragem e ousadia (o que a nova geração tem de sobra) e experiência, paciência e ponderação.
O que assusta é que nas andanças digitais o que mais vejo é a total falta de domínio da comunicação. Da língua falada e escrita. Os jovens ousados e que gritam altgo no cyberspaço se auto denominando CEOs ou gerentes de projeto, tem dificuldades em articular frases que façam sentido dentro das regras do bom português. Disparam erros que ruborizam qualquer conhecedor mais próximo da gramática. Além de demonstrarem total despreparo e falta de planejamento. Mas talvez seja isso o que o mercado exige. Talvez não. Só o tempo irá dizer.
A questão começa com um texto do Jabor (que você le logo ali embaixo) que trata da felicidade da aparência. Por alguma razão consegui estabelecer uma relação estreitíssima com a realidade da internet e seus bravos navegantes. O que quero dizer é que atrás de uma tela de computador, com um layout modernoso e muitos amigos na lista de contatos, qualquer um parece importante, inteligente, esperto e bem sucedido. Mas na prática talvez as coisas sejam bastante diferentes.
Confesso que tenho inveja sim da impetuosidade dessa geração que mais do que tudo sabe vender seu passe e se autopromover da melhor maneira possível. Mas ao mesmo tempo essa mesma geração me assusta em função de suas deficiências gritantes em aspectos básicos mas não menos importantes. No que isso vai resultar só o tempo dirá pois o pior dos castigos, na grande rede, é o anomimato.
Agora, com a palavra, Arnaldo Jabor:
Ser feliz é parecer feliz
Ontem comecei um filme sobre a “busca da felicidade”, essa ideia fixa do Ocidente, transcrita até na Constituição americana. No filme, não trato da atual “bem-aventurança” atual, mas de uma felicidade “de época”, ao fim dos anos 50. Não havia ainda a abertura “psicológica” de hoje; a felicidade se encolhia pelos cantos de um cotidiano reprimido, temeroso de grandes alegrias, dentro e fora das famílias. Era quase feio demonstrar muito prazer, como se a risada fosse um luxo. Minha avó aconselhava: “Cachez votre bonheur” (esconda sua felicidade)… Era diferente do narcisismo compulsivo que vemos agora, com ricos, jovens e famosos expondo suas gargalhadas na mídia.
Felicidade muda com a época. Antigamente, a felicidade era uma missão, a conquista de algo maior que nos coroasse de louros, a felicidade demandava o sacrifício. A felicidade se construía. Hoje, felicidade é ser desejado, é ser consumido. Confundimos nosso destino com o destino das coisas. Uma salsicha é feliz? Os peitos de silicone são felizes?
Ja escrevi sobre isso e volto agora por causa do filme, ao examinar com fascínio as revistas mundanas. Olho com inveja e rancor as fotos dos afortunados, pois todos são mais felizes do que eu. Ser feliz é parecer feliz.
A dúvida e as dores da vida são ocultadas. Já houve tempo em que era chique não sorrir, já houve os olhos fundos dos existencialistas, a cara abatida dos beats, fotografias em que o espectador era olhado com desprezo acusatório. Hoje as celebridades parecem dizer: “Azar o teu por não estares aqui, ?seu? anônimo. Aqui, não há fracassos, não há o Inconsciente. Ninguém pode deprimir. Tristeza não é comercial.Tudo é claro e óbvio como nossas gargalhadas.”
Na felicidade industrializada, só o excesso é valorizado. Não há a contemplação elegante da delicadeza, nem a tradição de uma feliz sabedoria, de uma serenidade discreta. Nossa felicidade não é minimalista; está mais para uma imitação carnavalesca de Luiz XIV.
As personagens da mídia feliz vivem como se não houvesse armadilhas na existência; apenas o narcisismo óbvio é cultuado como sendo o ideal a atingir. Este conceito redobrou em força, depois que morreram os antigos agentes da dúvida, os socialismos e desbundes. Assistimos ao triunfo da caretice disfarçada de libertação.
As fotos dos deslumbrados e deslumbrantes não precisam de caricatura; elas se criticam sozinhas, elas são paródias de si mesmas.
“Estaremos aqui para sempre, eternos em nossas baladas e desfiles – parecem dizer -, conquistamos isto tudo, estes cães de luxo, estas sopeiras de porcelana, este vaso Ming falso.”
Muito importante é ver, nas fotos de milionários e colunáveis, a cenografia onde eles posam como peixes em aquários de luxo, orgulhosos de seus tesouros: as casas e eles mesmos.
Não se veem vestígios dark. Tudo é novo, tudo brilha, tudo é presente. Contra o decorrer do tempo, existem os make overs, jorros de silicone e bochechas de botox. Para essa gente, não houve crises e mudanças no mundo. Não houve anos 60, nem guerras quentes e frias, nem fraturas ideológicas, muros caídos, fim de utopias, nada. Não aprenderam nada e não esqueceram nada, como disseram dos Bourbon.
Nas fotos, só aparecem gestos e coisas que gritam: lustres de cristal, galgos de bronze com olhos de safira, mármores falsos, ouro de tolos, ninfas de marfim, objetos no estilo catete-gótico, ?barroco Teodoro Sampaio? ou ?Early Lar Center?, atacando a arte contemporânea numa blitz feroz.
A decoração dos ambientes é para eles ou eles são para a decoração? As pessoas combinam com a casa. Uma vez uma perua me perguntou como era o restaurante aonde iríamos, para botar uma roupa que combinasse. É extraordinário como para eles tem de haver continuidade no mundo, uma coisa puxando a outra, numa lógica que começa num elefantinho de prata e acaba na ideia de Deus.
Em muitas fotos parece não haver figura e fundo. Há fotos em que os eternos felizes posam orgulhosos diante de seus retratos, criando um efeito narcísico de espelhos infinitos. Quem está ali? A dona ou o retrato?
Tudo ali é controlado pela ideia de simetria total. O abajur tem seu par, o castiçal tem seu par, o marido abraça a mulher em perfeita perspectiva com as duas colunas romanas que os ladeiam e todos os pecados se apagam ali no sereno tapete e no brasão do jaquetão de comodoro. Tudo passa a ideia de autossuficiência, de ilha de paz e tranquilidade, realização do ideal de casa, contra a rua do mundo. São abrigos contra o mundo, são abrigos antiatômicos num estilo rococó que resiste a todos os avanços do bom gosto; ali, pode-se viver, andar de cavalinho de plástico na piscina e rolar no veludo durante qualquer catástrofe econômica ou política. Nada os atingirá.
Os “venturosos” contemporâneos não se contentam em mostrar seus bens, caras e bocas; se sentem tão acima de nós, que adoram exibir e justificar qualquer vício, perversão ou vexame que cometam. Não há mais nada a esconder; ao contrário – eles têm o prazer de ostentar uma mentirosa autoconsciência, como se tivessem controle sobre o que são. “Ah… sim, eu já me prostitui muito, sim, eu gosto de transar em mictórios públicos, sim, me excita até ver cenas de crimes ou chacinas – me sinto liberado… sabe? Mas, tudo numa boa, sacou? Sou livre e maduro.”
Mas, afinal, temos liberdade para desejar o quê? Bagatelas, mixarias, uma liberdade vagabunda para nada, para rebolar o rabo em revistas, uma liberdade fetichizada, produto de mercado disfarçado de revolta de festim. Somos livres dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, recordes sexuais, sucesso sem trabalho, a fama em vez do merecimento. Não precisamos fazer nada ou saber nada. Basta aparecer, pois o pior castigo é o anonimato.
No futuro (se houver algum…), essas colunas e revistas de ricos e famosos serão uma valiosa contribuição para a semiologia da nossa caretice.
Chorei
Maio 5, 2009
Cheguei aqui
Hoje
Chorei
por ti
por mim
como criança
em descrença
frio
de esperança
Chorei
o medo
sem culpa
se é amor
Chorei
sofrido
sabido
gigante na dor
pequeno em tanto amor
morre
nos braços do desejo
num último suspiro
de gozo sorrateiro
Chorei hoje
Pelos outros
amores
por odiar
ser
um
só
chorei por ti
Chat
Maio 5, 2009
Mensageiro sem rosto
ao pé do teclado
engole o desgosto
e envia meu fardo
até o outro lado
poema perene
chat letrado
pelo msn
solto, cyber
no espaço
comedido
na tua dor
No chuveirinho
Abril 29, 2009

Estava pensando aqui com meus botões. Agora que a onda é verde, como é que ficam as mulheres no quesito mastubação?
Reza a lenda que o chuveirinho sempre foi infalível.
Desperdiçar água por prazer? Mais politicamente incorreto impossível. Como faz?
Que saia justa não?
Sugestões para um substituto auto sustentável nos comentários.
Para a salvação do prazer feminino.
Minha primeira vez
Abril 28, 2009
Existe uma nostalgia gostosa nas primeiras descobertas. Aqui vai uma singela lista que, assim solta e despretensiosa, parece tão sem graça mas, para mim, é o que tenho de mais valioso.
A primeira paixão
Tatiane. Eu devia ter uns cinco anos de idade. Por alguma razão, aquela garotinha de sorriso largo e sem os dentes da frente me fazia ter vontade de ficar do lado dela. Eu ainda era uma criança e não sei se existe paixão nessa idade. Não sabia o que era um beijo e muito menos sexo. Mas era fascinado por aquela menina. Inocência pura.
Os primeiros amigos
A galera da rua: Cássio, Noninho, Mauro, Bibo e Júlio. A vida com eles era uma festa. Bons tempos.
A primeira bicicleta
Caloi Cross azul com lindos pneus balão azuis. Mas eu morria de inveja era dos pneus vermelhos da do mano.
O primeiro baixo
Feio de doer. Magnus (uma marca nacional que nem existe mais). Tinha captadores de guitarra (!) e um som tenebroso. Mas, pra mim, era lindo.
O primeiro beijo
Com a Alessandra. Colega de escola do mano. Numa das festinhas na garagem do Cássio com direito a dança com a vassoura. Achei muito, muito esquisito…
Primeiro “chão” de moto
Com quinze anos. Fui fechado sem dó nem piedade no centro da cidade por um carro de São Borja. Voei por cima do carro e cai do outro lado. Sem capacete. Nasci de novo apesar de quase matar minha mãe.
Primeira moto
A ML 125 do meu pai que implorei pra ele me deixar andar se eu desse um tapa nela que estava parada e juntando poeira na oficina
Primeira vez
Com uma pessoa linda e amiga. Foi bom. Sem data e nem nomes, por favor…
Primeira surra
Quando era muito pequeno. Inventei de encrencar com um bando de guris que estavam na pracinha de brinquedos e um deles, bem mais velho, me acertou em cheio e me deixou caído me retorcendo no chão. Achei uma covardia e fiquei puto da vida. Mas não podia fazer nada. Eu era menor e estava em menor número.
Primeiro olho roxo
Num bar em Santa Maria. Um amigo encrencou com uma turma de malucos e eles vieram pra cima de mim. Não deu tempo de fazer nada. Só vi quando o cara estava em cima de mim. Gelo.
Primeira perda
Meu avô materno que eu adorava. Fiquei desolado por um tempo e depois criei o hábito de visitar o túmulo dele pra conversar. Até hoje.
Primeiro show
No primeiro show de calouros de Santiago, tocando Cascaveletes…
Primeiro porre
Num show do colégio estadual em uma noite gelada de inverno. Subi no palco completamente bêbado. Um fiasco.
Primeira revista pornô
Na casa do vó. Fuçando em um caixa de papelão debaixo da cama do tio Júlio. Era uma aventura. Ficava gelado só de pensar que poderia ser pego vendo aquelas coisas “impóprias”.
Primeira droga
Maconha. Junto com o Abdione e um maluco que tinha vindo do Rio de Janeiro. Soltei a fumaça como quem fuma um cigarro comum. Foi engraçado ver os caras desesperados tentando caçar no ar a fumaça que eu tinha soltado. Achei uma bosta.
Primeiro trabalho
Com meu pai. Na oficina. Eu adorava e aprendi muito.
Primeiro chefe de verdade
O Wagner. Quase um pai.
Primeiro namoro “sério”
Com a Clarissa. Uma linda menina de cabelos negros. Eramos muito novos.
Primeira vez que fui roubado
Minha moto. Na casa da Clarissa em Santa Maria. Quando desci e ia embora, cadê a moto?
Primeira decepção amorosa
Com a Clarissa. Não lembro nem o motivo. Foi o que ocasionou o primeiro porre daqueles de perder o rumo.
O primeiro grande porre
Na casa da Aline. Depois de tomar uma garrafa de rum inteira no bico. Fiquei mal, muito mal.
O primeiro carro
Um fusca cor de qualquer coisa. Andava de lado nas estradas pro Caiguaté…
Primeiro show de rock
Do TNT no Gremião de Santiago. Tinha uns 14 anos. Fiquei vidrado. Foi a primeira vez que pensei “Caralho… eu quero fazer isso pra viver”
Primeiro CD gravado
Na coletânea ELO Um volume 2 em Santa Maria. O show de lançamento foi um fiasco, na antiga rodoviária. Contando os garçons devia ter umas 20 pessoas na platéia.
Primeira banda
Aos 15 anos. Com a turma da época. Ganhamos o primeiro lugar num show de calouros no ginasião da cidade. Acho que era uns 100 pilas de prêmio. Gastamos tudo em pizza e coca-cola…
Primeira vez que chorei por amizade
Quando vim embora pra São Paulo, lendo uma carta do Ricardo.
Primeira casa em São Paulo
O porão da dona Orilda. Não dava pra ficar em pé sem bater a cabeça no teto. A segunda casa foi um inferninho perto da Augusta, só pra constar.
Primeira vez num puteiro
Calma. Foi a trabalho. O dono da zona em Santiago queria de todo jeito que nossa banda tocasse lá. Foi até falar com nossa mãe e justificar que era uma casa de família… Bom, a mãe não deixou e, claro, fomos escondidos.
O primeiro contato com morte
Com uns 14 anos eu acho. Apareceu um camarada lá em casa pra deixar umas fotos pro meu pai. Pacote aberto e tal. O pai não tava e ele entregou pra mim. Claro que eu fui ver o que era. Era meu tio enforcado no galpão dos fundos da oficina do pai. Fiquei MUITO impressionado.
Primeiro CD
Do Sepultura, não lembro qual era. Minha mãe deu um super DVD Player de presente pra mim e pro mano e de quebra veio o CD. METAL!
Primeiro vídeo-cassete
Um primor. Controle remoto com fio e tudo. Coisa fina.
Primeiro filme alugado
Dia dos namorados macabro. Assistimos inteiro em PB pois a porra do vídeo estava em PAL-M e ninguém sabia mexer naquela joça. Depois descobri, claro
Primeira cena de sexo
No filme do Conan, na Tela Quente (literalmente). Só lembro da cara de vento dos meus pais enquanto o Conan descia a lenha numa bruxa ou algo parecido. Eu devia ter uns 6 anos. No outro dia disparei um comentário enigmático com os amiguinhos da rua: “Eu só não entendi aquela parte que o Conan estava BRIGANDO com a bruxa” Huahuahuahuahua. Alguns riram da minha cara, outros fizeram a mesma cara de vento dos meus pais…
Primeira vez que andei de avião
Vindo pra SP depois de conseguir um trampo. Achei lindo. Fiquei hipnotizado. Hoje cago nas calças só de pensar em entrar numa porra com asas.
Primeiro filme pornô
As escondidas em casa. Nem lembro o que era. Só lembro que tinha um cara com um bigodão anos 70 e uma mina tomando uísque e fazendo um trabalho “oral” no rapaz. Eu lembro de ter pensado “Isso deve estar ardendo”…
Primeira vez que vi o mar
Com 15 ANOS! Em Santa Catarina. Foi antipatia a primeira vista. Me senti um alienígena no ambiente praiano… queria mesmo era estar trancado no quarto com meus gibis e meu computador…
Bom… tem mais um monte, mas pra uma primeira vez que escrevo algo do gênero, está bom.
Que tipo de motociclista é você?
Abril 20, 2009
Algumas definições bem engraçadas do mundo das duas rodas. : ) Tirei do forum do 35
Este é um pequeno glossário sobre os seres e espécies de seres bípedes que fazem parte da fauna de duas rodas. É sempre bom conhecer estes termos, pois deve-se ter um certo cuidado ao adereçar um destes seres, pois se chamá-lo
pela denominação errada com certeza vai levar um xingão.
MOTOQUEIRO: Indivíduo bípede que anda sobre uma máquina que também tem dois pontos de contato com o solo. Notem que qualquer ser que consegue equilibrar-se sobre os quartos traseiros pode ser motoqueiro (com o preço
que está uma CG 84 a álcool, qualquer um pode). Quando este indivíduo comprou seu veículo de duas rodas, acreditava que qualquer coisa sobre o asfalto com mais de duas rodas é um obstáculo a ser vencido (tem certeza que
se tivesse comprado aquela DT 180 85 daria para pular por cima). Atualmente,
depois de três multas por andar sem capacete, várias mijadas de guardas por
estar de chinelo e sua foto (ou melhor, a da traseira da moto com ele
cobrindo a placa com a mão enquanto “fazia bundão” pro pardal) espalhada por
todas as repartições do Detran, ele é o dono da rua. Sua próxima aquisição
será aquele ferrinho de pôr na rabeta para poder empinar sem estourar a
lanterna traseira…Aí sim vai ser animal passar nos pardais.
MOTOCICLISTA: Ser humano sobre uma máquina de duas rodas. Se considera a
casta nobre dos condutores de veículos motorizados, pois só anda de
capacete, não grita “Volta pra cozinha!!!!” quando uma mulher
inadvertidamente lhe fecha no trânsito e nunca joga papel de bala no chão.
Não consegue ficar 15 minutos sem pensar na sua possante, e acha que não
existe coisa melhor no mundo do que andar de motocicleta. Se sua mulher
deixasse, guardava a motocicleta na sala de jantar. Mas como não há
substituto para sexo, guarda a motocicleta debaixo de uma lona na garagem
mesmo (mas só cobre depois do motor esfriar, nem que tenha que ir até a
garagem as 3:00 horas da manhã mais fria do inverno para cobri-la).
BIKER: Ser totalmente sui generis. Também se considera de uma casta nobre,
mas de um filé absolutamente diferente dos demais. Começou aos 10 anos com
uma Caloi Super, de quadro de ferro e 10 marchas (era o moleque mais rápido
do quarteirão no Polícia e Ladrão sobre bicicletas). Quando cresceu e virou
gente, a 1ª moto que comprou foi uma RD350, que passsava horas lavando e
encerando. Divertiu-se muito com esta RD (“Meu, tu não acredita em quantos
minuto fiz do trampo pra casa, e isso ao meio-dia”).
Aí ganhou mais dinheiro, teve dois filhos, trocou a Parati rebaixada com
vidro fumê por um Santana de 4 portas e comprou uma esportiva. Mais de 130
cavalos, sem contar o condutor, e velocidade final de 270 km/h (mas com o
Sarachú que ele vai colocar vai passar dos 285 frouxo). Sua diversão é subir
até o topo da serra e descer, uma vez atrás da outra, das 8:00 às 11:30 de
todo sábado de sol, fazendo todas as curvas na horizontal. Sempre se veste
com uma jaqueta que se liga por zíper à calça, das cores mais psicodélicas
possíveis e que geralmente custam um valor de 4 dígitos. Quando chega em
casa pro almoço depois do exercício de sábado, a 1ª; coisa que faz é abrir a
jaqueta de guerreiro do futuro pós-apocalíptico e amarrar as mangas na
cintura e em seguida atacar a geladeira atrás de líquidos, pois quase
desidrata de tanto suar dentro do uniforme. Depois de beber dois litros de
água, suco, chá, cerveja, etc, beija a mulher (como sempre ela manda ele
tomar banho porque está fedendo chulé) e vai vistoriar os novos riscos nas
pedaleiras que fez naquelas curvas animais da serra. E pensa consigo mesmo
“Até sábado que vem ponho o Sarachu, aí sim vai dar pra aproveitar toda a
potência da moto”.
COXINHA: Na verdade, esta definição serve para todas as tribos. É aquele ser
que tem um veículo de duas rodas dentro da sala de TV. Acha que o importante
é ficar babando em cima da moto, e só anda com ela nos fins de semana de sol
e quando emenda um feriadão e não vai viajar com a patroa e os 3 filhos. Seu
maior prazer é sair de carro com os amigos e falar de motos. Quando sai para
dar umas voltas (depois de entrar no site do Inmet para ver se corria risco
de tomar chuva naquele sábado de céu azul), não pára em sinaleiro sem ficar
acelerando o motor. Geralmente sai no gás para frear em cima do carro em
frente a 30 metros. Sua política é que moto é a melhor coisa do mundo, mas
em viagem de mais de 30 km é melhor ir de carro por ser mais seguro, ter
rádio toca-fita com magazine de 12 CDs no porta-malas, ar condicionado, etc.
Além do mais, não sei não, mas parece que vai chover semana que vem, por
isso não sei se vai dar pra ir junto com vocês…
TIRO CURTO: Denominação dada a um ser vivente sobre duas rodas que vai a
qualquer encontro, em qualquer lugar, pagando ou não, com qualquer tempo,
mas raramente chega lá no dia programado. Sempre fica no meio do caminho
para arrumar um probleminha na moto que só depende de se conseguir uma
pecinha na cidade vizinha. A sua moto é o arquétipo da moto ideal,
mecanicamente perfeita, e aqueles barulhinhos irregulares são charme. A
bomba de óleo que estourou ontem, o fluido de freio vazando na semana
passada e a torneira de combustível entupida do último encontro (30 dias
antes) são coisas da vida que acontecem com qualquer um. Geralmente é o 1º a
apoiar a idéia do MC comprar uma carretinha pro carro de apoio (“Lembra
daquela vez que o Ciclano teve de dormir naquele motel pulgueiro? Ainda bem
que não estava junto , já que minha moto estava na revisão, mas se a gente
tivesse a carreta vocês poderiam ter colocado aquela porcaria da moto dele
em cima”). Facilmente reconhecido, pois conhece os nomes de todo mundo na
sua concessionária, do mecânico-chefe ao gerente ao cara de CG que faz
entregas. Quando consegue chegar de volta de um encontro sobre a moto (e não
dentro do carro de apoio) fala pra todo mundo que este foi um dos melhores
encontros que aquela cidadezinha já fez. Muito melhor que o do ano passado,
pois de tanta chuva (na verdade era uma garoa forte) molhou as velas e teve
de dormir num hotel na entrada da cidade que lhe cobrou uma nota preta.
“Este ano foi diferente, a organização não deixou ninguém nos explorar com
hotéis caros… Aquela mancha de óleo ali? Isso é óleo que jogaram embaixo
só para me sacanear. Esta moto não dá oficina”.
CGZEIRO: Começou com uma Turuna 80 (aliás, impecável) do tio dele e agora
esta já na sua 3ª Today. Seu sonho de consumo era uma Titan ES, mas agora
com a YBR, está em dúvida…se a troca de óleo for mais barata pode até
pensar. Entre seus amigos é muito querido, pois além de fazer zerinhos
perfeitos (“aquela vez que a moto escapou e acertou um Palio 16v estacionado
do outro lado da rua foi porque a rua ali na frente do colégio tem muita
pedrinha solta por causa dos ônibus que passam de monte”) faz a melhor
antena corta-cerol do bairro. Pensa um dia escrever para a Duas Rodas e
perguntar se não querem fazer um teste com seu corta-cerol. Numa dessas pode
até começar a faturar uns trocados com os pedidos…
SUPERBIKER: Ser sobre duas rodas bastante curioso. Sua filosofia de vida é
chegar lá. Não importa onde, desde que seja rápido. E antes dos colegas com
aquelas velharias de 1998. Seu modo de trajar é bastante semelhante ao do
biker, mas diferem por sempre usarem capacetes de fibra de carbono com
kevlar trançado, viseira anti-embaçante e a prova de impactos e cinta
jugular acolchoada de nylon anti-alérgico que pesa somente 127 g. Têm um
jeito peculiar de andar quando estão sobre os próprios pés, pois sempre
inclinam a cabeça para frente para melhorar a penetração aerodinâmica. Não
são muito vistos sobre as motos, pois quando você vai olhar eles já
passaram. Detestam andar devagar, pois o pressurized air charged direct
double induction system só começa a funcionar a partir dos 195 km/h (se bem
que a nível do mar já entra nos 185 km/h). Além do mais, andar a menos de
200 km/h é coisa de frouxo.
São facilmente reconhecíveis nas boates dos encontros, pois sempre são os
primeiros a chegar, e quando se pergunta a um deles se o túnel na BR ainda
estava em reformas eles respondem “Reformas? Não vi máquina nenhuma…”.
Outra característica marcante é seu ódio descomunal a insetos. Isto porque
dói pra cacete levar uma besourada no pescoço a 298 km/h. Acredita piamente
que até o ano 2010 estarão em produção motos de série que rompem a barreira
do som (“Aí sim vai dar para curtir o vento no rosto…”).
CRUISER (CUSTOM): Seu nome é derivado do tipo de moto de duas rodas que
pilotam. Sua filosofia de vida é ir, não importa quanto tempo leva nem se
vão chegar lá. Só ouvem rock, e respiram couro e comem cromo. Se não for
cromado não presta. Vestem-se dos pés a cabeça com roupas de couro (até no
capacete as vezes), incluindo-se cuecas e meias, geralmente na cor preta.
Além do couro, adoram usar penduricalhos presos a roupa, como correntinhas,
broches, etc. Não gostam muito do verão por que no sol toda esta roupa preta
esquenta pra cacete. Consideram-se os bad boys do reino de duas rodas, mas a
maioria pede: “por favor, não fala palavrão” e até respeitam mulheres no
trânsito. Também não gostam de insetos, pois como geralmente usam elmos
abertos, detestam comê-los quando es tão pilotando. Nos encontros, se você
perguntar se o túnel na BR ainda está em reformas, respondem com detalhes,
pois andam tão devagar que conseguem até ler o nome nos crachás dos
trabalhadores.
TRILHEIRO: Este ser não faz parte da fauna urbana, pois só se sente a
vontade quando está no meio do mato. Seu credo é “no barro é que me
realizo”. Estes bípedes só são felizes quando estão com barro até a cueca,
já que andar no asfalto é coisa de mariquinha. Quanto mais chover melhor,
pois assim a trilha estará bem enlameada. É um dos poucos seres sobre motos
que sabe lavar roupa, pois sua mulher se recusa a pôr a mão ou deixar que a
empregada lave aquela imundície que é a roupa dele andar de moto. Detestam
os coxinhas e flanelinhas (ver abaixo), já que moto limpa não presta e é no
mínimo coisa de fresco. Não vão muito a encontros, pois só existem encontros
em cidades, nunca na terra ou no mato, e andar no asfalto é coisa de
mariazinha.
FLANELINHA: Também é um categoria de ser, sendo encontrado em todas as
tribos e filos. Este ser bípede tem como meta na vida deixar sua moto
brilhando. Não existe coisa pior que mancha ou sujeira. Também são uns dos
poucos que lavam roupa, pois só usam roupa limpa ao andar de moto para não
sujar o banco. Nos encontros que vão (apenas na época de seca e somente em
cidades limpas) ganham todos os prêmios de moto mais bem conservada.
Caracteristicamente sempre carregam um paninho, pois sempre pode aparecer
uma sujeirinha. Conhecem de cor nomes e fabricantes de todas as marcas e
tipos de cêras e polidores, além de conseguirem citar de traz para frente a
seqüência de lavagem de sua moto. Uns chegam ao ponto de plastificar a moto
inteira (“Sabe como é, radiação ultra-violeta pode danificar a pintura.
Nunca dá pra descuidar”). Nos encontros, para achá-los é só ir onde estão as
meninas em trajes mínimos lavando motos. Geralmente tem um flanelinha
ajudando ou ensinado elas a lavar.
ESTRADEIRO: É uma espécie de nômade, que ainda não conseguiu criar raízes em
lugar algum. Na dúvida, ele pega a estrada, não importa pra onde, desde que
seja longe. Também não se importa em quanto tempo vai levar ou se tem alguma
coisa lá, o importante é ir. Uma de suas características é transformar a
moto num motorhome, com malas, alforjes, bagageiros, mochilas e pochetes por
tudo, sempre com um 2º capacete em cima da pilha mais alta. Ó único ser
sobre duas rodas que acha que talvez não seja totalmente verídica a estória
que todo caminhoneiro tem a mãe na zona. Afinal, naquela viagem do mês
passado ao Aconcágua que fez saindo pela Transamazônica, foi um caminhoneiro
que lhe deu carona de volta a Manaus quando o pneu traseiro rasgou. Também
não gosta de insetos, porque deixam aquela mancha verde na viseira. Sempre
que se encontrar um estradeiro e ele disser já volto, desconfie, pois pode
resolver que faz tempo que não vai às Missões e só voltar dali a um mês. Se
pudesse, trocaria o irmão mais novo para ir de moto à Daytona. Saindo da
Terra do Fogo, é claro.
MOTOCLUBE ou MOTOGRUPO: Uma reunião formal, legalizada e com estatuto de
seres sobre duas rodas. Normalmente, é composto por apenas uma espécie de
ser, e todos são identificados por uma jaqueta ou colete de preferência bem
surrados com uma figura nas costas e escrito embaixo “Pelo asfalto, minha
vida” ou qualquer outro dizer imperioso assim. Quanto mais coisas e
penduricalhos conseguir colar, costurar ou amarrar no colete ou jaqueta,
melhor. Seus integrantes, nos encontros, só se misturam com integrantes de
outros MC de seres da mesma espécie, e sua principal diversão é falar mal
dos encontros pagos e das outras espécies. Alguns até tem sede própria, onde
fazem as reuniões para decidir que encontro pagos vão boicotar ou qual
membro vai ser punido por não usar o broche do grupo no último encontro que
foram. A maior ocupação de seus integrantes é confeccionar adesivos para
poderem trocar com os outros MC e aí colar no painel da sede. Os Motoclubes
mais abonados mandam pintar o carro de apoio, a carretinha e a sede inteira
com as cores do grupo, e com uma baita brasão na parede (no carro de apoio
colocam aqueles adesivos magnéticos com o emblema do MC nas portas). Para se
relacionar bem com estes seres, é necessário certo conhecimento de zoologia
para se poder saber qual o bicho é o animal que adotaram como símbolo (além
dos seus hábitos, se é carnívoro, onde se encontra, seus ritos de acasalamento, etc.).
Ah! Moleque!
Abril 19, 2009
Já que o assunto do dia é batera, recebi esse vídeo do Cris. Tony Royster Jr fazendo um puta solo. Está com 12 anos de idade… Se eu fosse batera, depois de ver isso, queimava minha bateria e ia tocar caixinha de fósforo… Se liga no vídeo, o moleque até tem uma técnica ninja de tocar no cimbalo de baixo pra cima!
Deve ter um pacto com o diabo…
Aqui tem uma performance dele com uns vinte e poucos, aparentemente
O cara é um fenômeno. O site dele tá aqui pra quem quiser saber mais: http://www.tonyroysterjr.com/
Também tem o Myspace do maluco: http://www.myspace.com/officialtonyroyster
Bateria para o povo e os oportunistas de plantão
Abril 19, 2009
Nas minhas andanças pelo espaço virtual acabei encontrando uma coisa muito legal. Achei a idéia genial. Um batera italiano pegou vários temas bastante conhecidos, desde música de seriados de tv até ópera e música erudita, e inventou de acompanhar na batera. Ficou muito bacana. Achei uma forma inteligentíssima de divulgar seu talento no instrumento assim como puxar brasa pro assado do trabalho próprio. E tudo isso sem recorrer a técnica que muitas pessoas adotam no universo da internet pra se auto promoverem.
Eu explico. Tem uma pá de gente que não escreve em blogs, twitta, toca,desenha ou seja lá o que for de forma pouco espontânea. Agem como urubus. Seus twits, desenhos, fotos, whatever são pautados pelo que está bombando no momento. Faz-se assim por que os buscadores hoje são uma baita ferramenta de visibilidade se você fizer a coisa certa na hora certa. E não precisa muito esforço, basta dar uma checada no Google Insights for search pra saber o que as pessoas estão procurando.
Nesse cenário fica muito fácil e aparecer na grande rede de computadores onde todo mundo pode ter seus 15 minutos ou mais de fama.
Mas voltando ao assunto legal. Dá uma conferida nas músicas do Andrea Vadrucci:
O Barbeiro de Sevilha
Acompanhando um cena do filme Tenacius D!
Guilherme Tell
Tema do Super Mário
Tema dos Simpsons
In The Name of God (mostrando que sabe mesmo, tocando Dream Teather!)
Show de bola hein?
O site do Andrea está aqui e, pelo que entendi, esta aqui é banda dele: Cosmica. É um rock progressivo, bem bacana até.
Só para constar
Abril 13, 2009
É nítido e claro o sentimento que tenho em relação aos nossos “queridos” jornalistas desse nosso Brasilzão. Se você costuma frequentar este blog já deve ter percebido a explícita antipatia. Caso contrário, verá que, na barra de categorias, existe uma tag sabiamente chamada jornaleiros, que trata destes profissionais que caminham a passos largos rumo a extinção da profissão como hoje se conhece.
Longe de mim querer rebaixar a categoria dos nossos queridos profissionais que vendem jornais, revistas, cigarros, chicletes e mais um monte de coisas nas suas banquinhas pelas esquinas. É só uma tentativa bem humorada de tentar colocar o terrível e monstruoso ego dos jornalistas no seu devido lugar.
De uns tempos pra cá comecei a categorizar minha falta de empatia pelos fulanos em categorias. Dependendo do nicho de atuação ele recebe mais ou menos desprezo. Mas nunca deixa de receber algum tipo de represália moral.
Caminhando por esse terreno arenoso, comecei a perceber os piores tipos. Um dos piores me foi revelado pela Lele. Até então nunca tinha atentado à classe. Provavelmente pelo fato de não ter o costume de ler editorias ou mesmo veículos inteiros dedicados a tal “cultura”. Cheguei a conclusão que o jornalista cultural é o mané dos manés. O negócio é o seguinte, jornalismo cultural é coisa que qualquer macaco pode fazer. Qualquer um pode sair por aí dando seus pitacos sobre música, artes plásticas e o caralho a quatro. Basta estar bem informado pra não falar nenhuma asneira de grandes consequências.
A maravilhosa internet tem toda, ou quase toda, a informação necessária pra falar sobre alguma coisa. Principalmente quando o assunto é cultura. O tal jornalista cultural ganha uma grana pra escrever papo de boteco. Opinião sobre cultura é que nem bunda, todo mundo tem uma. Pior que o jornalista de cultura é o crítico de cultura. Se bem que crítico, em qualquer área, é um baita de um cuzão. É aquela velha história. Quem sabe mesmo, faz. Quem não sabe, fica lambendo saco ou descendo a lenha e aí, vira crítico.
Uma das poucas classes que admiro são os jornalistas de tecnologia, esses sim estão sempre bem informados e, geralmente, não são jornalistas, são entusiastas, consumidores e, principalmente, produtores de teconologia. Acho que esse é o grande diferencial. Os caras que escrevem sobre tecnologia, ao menos os que podem ser levados a sério, são caras que colocam a mão na massa. Sabem fazer e sabem do que estão falando. É uma grande e bem vinda mudança. Mal comparando é como colocar um músico pra falar (escrever) de música. O camarada vai ter muito mais repertório e possibilidades na hora de ficar dando pitaco.
Ai eu pergunto… por que razão 10 em 10 gostosas/modelo/atriz/apresentadora/(preencha aqui…) cheias de “talento” que aparecem na televisão ou algo parecido sempre falam que seu sonho é cursar jornalismo? Ou, na pior das hipóteses, já estão cursando. Isso é ou não é um nítido sinal de decadência da profissão? Por que nunca falam em engenharia, química, medicina ou até algo mais ameno como gastronomia…?
Por enquanto é isso. Parte da revolta provem da minha cagada em ter comprado na banca uma Rolling Stone que me ludibriou pela capa. Achei que a revista inteira era dedicada ao Kurt Cobain e ao Nirvana e tomei no rabo. Era uma edição comum que saiu com duas capas. Me senti enganado. Quero meu dinheiro de volta.
Malditos jornalistas.