O tipíco designer de porta de faculdade… ; )

Uma lista andou circulando pela internet com o seguinte título:

50 razões para não casar com um designer gráfico

Tal lista não deixa de ser uma brincadeira, uma tirada com estereótipos e algumas piadinhas mornas (com um certo fundo de verdade em alguns momentos)

A gramática equivocada e alguns erros  bobos de português deixam claro que, provavelmente o autor deve ser um rapaz novo, talvez saído da faculdade há pouco tempo.

Aparentemente o texto fez um certo sucesso e se espalhou pela web. Absolutamente nada contra o autor o qual não faço a mínima idéia de quem seja. Vi no http://www.obrigadopelospeixes.com/

O que quero dizer aqui é algo muito importante. O perfil descrito é de um designer “guri”, daqueles que se formam aos montes nas faculdades de design por esse Brasil e saem pelo mundo acreditando que são o supra sumo da criação, trocando os pés pelas mãos a cada passo e, obviamente, pela insegurança e necessidade de auto afirmacão natural da juventude, acabam seguindo a risca cada estereótipo que dita o que é, hipoteticamente, ser um designer. Usar um computador Apple e um tênis descolado não é o que vai fazer de um designer um bom profissional. Acho que deu pra entender.

Um bom trabalho sim, faz um bom profissional. Mas não é só isso. Sou designer (apesar de estar longe da criação há bastante tempo) e me considero mediano, talvez fraco. Nada excepcional. Vejo milhares desses “guris recém saídos da faculdade” com um trabalho que deixa tudo o que eu fiz a minha vida inteira no chinelo. Caras bons mesmo. Mas não é apenas um trabalho de cair o queixo que conquista um cliente ou o mercado. Sabe o que lhes falta? Bom senso, experiência de mercado e, principalmente, experiência de vida. É essa diferença de postura que dita uma questão primordial dentro de algumas empresas: cargos e salários (não pautados exatamente pela qualidade do trabalho de design em si, mas pela confiança na seriedade, conhecimento e profissionalismo do candidato)

A idéia aqui é checar alguns itens dessa lista para fazer um justo contraponto. Não farei em todos pois alguns são muito bobinhos e sem sentido.

Vamos a ela. Lembrando que motivos para não casar estão em cima e a interpretação e contraponto, logo abaixo de cada um.

1 Há milhões e milhões de designers no mundo.
De fato existem muitos deles. Hoje em dia qualquer um é designer. A liberdade de expressão e criação que todos os avanços da tecnologia, fotografia digital e a internet trouxeram, fazem de qualquer pessoa um designer em potencial. É a coisa mais natural do mundo. Design é um campo do conhecimento muito subjetivo e portanto livre de regras muito rígidas. O bom design está nos olhos de quem vê. Claro que existem as regras. Mas não deixa de ser uma expressão artística e, portanto, mais livre e solta. Diante disso, o mundo também está cheio de artistas plásticos, músicos, escritores, poetas e tantos outros envolvidos com criação.

2 São egoístas e egôcentricos
Sim. Se tiverem menos de 20 anos.

3 Todos tem salários baixos
Os designers que menos se parecem com “designers” (travestidos dos pés a cabeca pelo estereotipo estabelecido) são aqueles que ocupam cargos de confiança e, provavelmente se envolvem com algo além do design como estratégias de negócios e coisas correlatas. E sim, ganham um belo salário.

4 Não aceitam críticas (recebem mas não as entendem).
Sim. Se tiverem menos de 20 anos. Um designer profissional ganha respeito e prestígio não só quando argumenta com propriedade a respeito de uma critica infundada ou gratuita mas também quando sabe ser flexível e enxergar o ponto de vista do outro.

5 Eles odeiam outros designers.
Sim. Se tiverem menos de 20 anos.

6 Não sabem somar nem subtrair quando vão ao mercado.
Se não sabem de fato é bem provável que nunca conquistem um grande cliente ou algum cargo de direção e confianca em qualquer lugar.

7 Não sabem mudar uma lâmpada sem fazer um esboço
Se for uma pessoa com sérios problemas de vida real/prática e relacionamentos é bem provável que seja isso mesmo.

8 Gostam de ver os créditos completos do filme (e cenas cortadas).
Desde que vá sozinho ao cinema. Fazer isso com amigos e, pior ainda, com uma mulher é fazer papel de bobalhão.

9 Não deixam você decorar a sua casa
Os designers (e qualquer um) que gostam de agradar seu par romântico sempre chegam a um acordo. E usam de todo seu conhecimento e bom gosto para deixar de um jeito que a moça vai adorar. “Não deixar” é coisa de quem tem menos de 20 anos…

12 Fazem montagem com suas fotos
Sim. Se tiverem menos de 20 anos.

14 Idolatram pessoas totalmente desconhecidas (Bansky, Sagmeister, Basquiat, Paul Rand, etc.).
Idolatria tem seu tempo. Geralmente na juventude. Admiração com bom senso e reserva (diante de pessoas que não são do meio) é uma ótima maneira de ter uma convivência harmônica com seu par. Se seu par for uma médica, provavelmente ela também vai idolatrar personalidades bastante incomuns pra você. A velha mania dos designers bobos que acham que só eles são descolados e diferentes. Como disse, coisa de guri.

19 Tomam bebidas de qualquer espécie apenas porque gostam da embalagem.
Sim. Se tiverem menos de 20 anos. Aliás… olha ali que desbunde aquela embalagem de veneno pra rato!

20 Eles roubam placa da rua e orelhões telefônicos.
Uma plaquinha eventualmente é possível. Mas, no geral,  é coisa de quem menos de 20 anos…

21 Roubam cartazes de shows e eventos e te fazem passar vergonha.
Um homem de verdade nunca fará sua parceira/noiva/namorada passar por qualquer tipo de constrangimento. Se você faz isso, é melhor tomar cuidado. Sua namoradinha vai crescer e, provavelmente, vai cansar de comportamentos infantis sem hora e local adequado… e então, te troca por outro. Fácil.

22 Amam ténis com cores estranhas e bizarras.
A velha mania dos designers bobinhos que acham que só eles são descolados e diferentes. Como disse, coisa de guri.

24 Tem sempre marcas de tintas em suas mãos.
Provavelmente deixadas de propósito. Andando por aí  loucos de ansiedade pelo primeiro comentário para que possam bancar uma de artista descolado… Coisa de guri… e cuidado moça, as marcas nas mãos podem ser de um pintor de parede…

25 Eles precisam consultar o Pantone antes de se vestir para saber a combinação correta e para ter um contraste legal.
Bom… isso quer dizer outra coisa. Mas não posso comentar aqui pois é politicamente incorreto. Vão dizer que sou homofóbico…

27 Eles odeiam Office (Word, Excel, PowerPoint, Publisher).
Sim. Se tiverem menos de 20 anos e nunca precisaram preencher algum documento realmente importante.

28 Gostam de músicas “Indie” (Aquela música que metade da humanidade nunca ouviu falar).
Duas coisas juntas. A falta de repertório de boa música e a mania de querer ser diferente apenas pra chamar a atenção. As pessoas mais maduras, com o tempo, descobrem o jazz e tantas outras coisas que são unanimidades pela razão de serem, de fato, geniais.

29 Lêem livros raros, histórias para crianças e semiótica.
Mais uma da série “Vou fazer piadinha mas vou contar uma vantagem”. Eu lamento que muita gente não designer curte livros raros e histórias para crianças. E semiótica não é exclusividade do ensino de design. Desculpe estragar a surpresa. E convenhamos, semiótica é um porre.

34 Sua vida social depende de seus amigos e outro designer.
Sim. Se ele tiver 15 anos.

42 Todos já foram ou cogitarão ser DJs (pelo menos uma vez).
O que eu faço com os incontáveis amigos e designers que nunca tocaram no assunto e que declaradamente não gostam de música eletrônica? Aliás, quem não quer ser DJ hoje em dia? Virou modinha…

44 Todos tem personalidade geeks e infantis.
A frase já entrega o ouro. Se tiverem 15 anos, sim, são infantis. E lamento dizer que ser geek (tão na moda) não é exlclusividade dos “designers”

45 Gostam de desenhos americanos ou japoneses e passarão horas assistindo
Sim. Se tiverem menos de 20 anos e forem desempregados… por motivos óbvios.

46 Gostam de mudar de cidade, estado país o tempo todo.
Só os designers? Nossa, que gente descolada. Achei que o mundo inteiro gostava. Como sou bobo. Olha, eu ouvi dizer que tem umas passagens baratíssimas pro Afeganistão. Dizem que é a atual meca da criação!

48 Assistem documentários e vão a museus o tempo todo, não importa o que seja.
Sinceramente eu não sabia que documentários e museus chamavam tanta atenção. Como os designers são diferentes… nossa! A propósito, ouvi falar de um museu muito bacana! É um museu de minas terrestres, todas funcionando… dizem que é muito real. Vamos lá?

Bom… eu planejava comentar todas. Mas não vale a pena.

O recado é: moças, se vocês estão com um camarada que bate com o perfil descrito aí em cima, existem duas possibilidades:  você esta namorando com um moleque ou seu noivo/namorado/pretendente é um completo bobalhão…

Pre ser sincero, pensando agora, acho que o nome da lista devia mudar para “50 razões para não casar com um designer gráfico recém saído da faculdade na casa dos 20 e poucos anos”

: )

Por hoje é só pessoal.

Troll mode off

O último dia

dezembro 5, 2009

Os rompimentos são sempre dolorosos. Mesmo aqueles em que temos a plena (e correta) convicção que são única e exclusivamente para o nosso bem.
Pode ser o rompimento de uma relação, uma amizade que fracassou ou mesmo alguma coisa maior como o fim de uma fase importante da nossa vida rumo a próxima. Seja lá ela qual for.

Eu cheguei na cidade de São Paulo há uns bons anos atrás. Na cara e na coragem. Sem dinheiro no bolso e uma mala velha de roupas. Pra mim, foi um enorme e difícil passo. Hoje olho pra trás e não me arrependo de absolutamente nada assim como não me incomodo com as dificuldades pelas quais passei. Afinal, eu vim pra cá sem dinheiro. Como todo mundo sabe, meus pais não tinham a mínima condição de me manter aqui. Eu estava por minha conta.  E com muito esforço dei conta do recado.

No começo, tudo era novo. Quase assustador. Uma realidade a qual não estava acostumado. O tão falado mundo corporativo. Sinceramente, nunca tinha “sonhado” isso pra mim. Simplesmente aconteceu.

Aprendi demais e conheci muita gente bacana. Uma experiência que ultrapassou a questão do trabalho. Uma lição de vida, daquelas que forja o caráter de um homem (coisa que hoje poucos tem).

Apesar de, anos depois, estar completamente envenenado e incomodado eu sempre valorizei demais o lugar onde cheguei.  Coisa que pra muita gente ao meu lado sempre foi algo banal. Para mim era uma história de percalços e uma vitória importantíssima.

O último dia, como quase tudo em minha vida, não foi programado. Saí de casa como vinha fazendo ha quase 10 anos e caminhei tranquilamente até o imponente prédio encrustado ao lado de um rio de caos. Aquela rotina quase automática. É engraçado… aquela fachada enorme, as TVs onipresentes, a opulência, as pessoas apressadas e tudo aquilo já não impressionavam mais aquele garoto de 10 anos atras. Eu ja conhecia tudo por dentro: as coisas boas e ruins. E havia aprendido que o aparente definitivamente não diz nada a respeito de alguma coisa ou alguém.

Depois de vários desencontros, conversas formais, protocolos, burocracia e um festival de incompetência e ingerência corporativa (parte culpa das pessoas e parte culpa do tal, pra usar o chavão, “sistema”) lá estava eu com meus documentos em mão em frente a uma moça do RH que nunca havia visto na vida. Assinei minha demissão. Parece que ela tinha um olhar de pena para comigo. Mas ela não imaginava como aquilo, pra mim, era como se eu estivesse tirando o mundo das costas.

Então lá fui eu, dar um breve até logo pra algumas pessoas. Algumas completamente desimportantes, aquela história de apenas ser educado e sociável.

Em alguns momentos ouvi coisas bacanas de pessoas que eu nem imaginava, daquelas que você olha no olho e sabe que é sincero. Outras você sabe que, dos dois lados, é apenas formalidade. Sabe que, provavelmente, não verá nunca mais apesar de ouvir o velho discurso: mantenha contato, vamos nos falar e aquela coisa toda.

Nessa enorme jornada, como em tudo na vida, fiz grandes amigos. Tive tempo de gostar e depois desgostar de muita gente. Tive tempo suficiente pra ver quem valia a pena e quem ali não valia nem mesmo um bom dia ou um aperto de mão daqueles bem frouxos. Conheci muitas pessoas humanas, sinceras, bacanas. Também conheci muita gente mesquinha. Babacas e idiotas de todas as espécies.

O bacana foi fazer alguns amigos daqueles que você, por uma série de razões, não consegue ter um contato mais próximo ou mesmo ter uma convivência maior. Mas que você sabe que serão seus amigos pra sempre. Mesmo que fique dez anos sem manter contato.

A saída foi uma situação estressante. Precisei me controlar muito pra não dar um tiro na cara de alguém. Um festival horroroso e dos mais legítimos da velha politicagem corporativa na qual, as pessoas como eu, não tem a menor importância. Mas também foi uma situação impar e esclarecedora na qual dá pra enxergar muita coisa que não conseguimos ver no dia-a-dia.

Confesso que, na minha saída, me senti um pouco abandonado. Uma peça inconveniente que precisava sair dali. Uma boca que falava o que todo mundo sabia mas ninguem queria ouvir. Alguem que incomodava pela franqueza e por apontar o que ninguém queria ver. Grandes amigos e pessoas que representaram muito ao longo desses mais de dez anos já não estavam ali pra eu dar um puta abraço e falar um sincero muito obrigado.

As pessoas olhavam pra mim de um jeito diferente. Algumas cheias de inveja boa. Querendo ter a mesma coragem. Outras com um olhar de piedade, como se olhasem pra um soldado que estava embarcando pro front de guerra. Outras não ligando a mínima, naturalmente, assim como eu não ligava e nunca liguei a mínima pra elas.

Apertos de mão, sorrisos amarelos, abraços pela metade e muita conversa vazia. Era chegada a hora de partir. Confesso que um nó enorme se fez na minha garganta na hora de dar um abraço nos mais chegados, nos amigos mesmo. Aqueles que sempre estavam juntos. Sempre rindo, sempre brincando. Pessoas que aprendi a gostar e me identifiquei nesse tempo todo.

E aí veio o choro contido, quase escondido. Choro pelas pessoas que sim, eram muito importantes, e que fizeram parte da minha vida por muito tempo. Uma confusão de alegria por estar saindo e de tristeza por deixar pra tras todas aquelas pessoas que, seu eu pudesse, levaria comigo.

Entreguei meu crachá quase como que num ritual. Por um momento achei que a menina ia queimá-lo ou joga-lo em algum tipo de altar dos malditos. Mas ela só pegou e colocou num canto. Me deu um papel feio e rabiscado o qual eu deveria usar para poder passar pelas indefectiveis catracas pela ultima vez para ir para casa. Como se, sem o papel, eu provavelmente ficaria preso por la para o resto da vida.

Pela ultima vez vi aquelas cores, senti aqueles cheiros e vi todas aquelas coisas que me tiraram, ingenuamanete, o folego ha dez anos atras. So que dessa vez eu tinha folego de sobra. O ar estava mais leve e entrava suave nos meus pulmões. Eu nunca me senti tão livre e vivo. Quem me viu atravessando a porta não entendeu muita coisa. Eu tinha lágrimas nos olhos. Mas também tinha um sorriso enorme e luminoso no rosto. Um sorriso de esperança e certeza de que agora a vida era minha outra vez.

Fui pra casa como sempre e, naquela noite, como nunca, dormi o sono dos justos.

Fantasmas do passado

novembro 12, 2009

Dia desses me deparei com um cara que eu não via há uns dez anos. E me senti péssimo. Não por mim, mas por ele ou pela situação toda.

A história começa mais ou menos assim…
Depois de passar um monte de dificuldades na minha vinda pra São Paulo (morando em porão e em puteiro) eu finalmente estava mais ou menos estabelecido, morando numa casa bacana com algumas outras pessoas ali na Vila Mariana.

Um belo dia encontro um cara na rua, cabelão comprido e tal. Pensei comigo “Esse cara é dos meus! Roqueiro!”. Bom… começamos a conversar e tal e partir dali nasceu uma provável amizade.

Confesso que fiquei super feliz pois até então, a maioria das pessoas com as quais eu tinha me deparado eram filhinhos da mamãe e do papai cheios de si. Achei que tinha encontrado o primeiro amigão de verdade em Sampa, um cara parecido comigo. E também eu passava a maior parte do meu tempo bastante sozinho já que não tinha grana pra sair bater perna por aí. Era bastante solitário.

O tempo passou e a gente sempre se falava e tal. Um belo dia ele resolve me levar na casa de um camarada que tinha uma banda com ele. La fomos nós. O sujeito era um moleque, parecia gente boa. Conversamos sobre música e depois cada um foi pro seu lado.

Eis que meu crasso engano foi um belo dia, quando estava só em casa, resolvi dar um pulo na casa desse cara onde meu suposto amigo tinha me levado. Fui lá bater um papo e tal. Na conversa até sugeri, na maior inocência “Po, a gente pode fazer algum projeto musical e tal, fazer algum lance juntos”. Beleza. ficou por isso.

Eu venho de uma cidade onde eu convivia com um monte de gente que tinha banda, conhecia muitos músicos. E a coisa mais normal do mundo era ir ali tocar com uma galera, depois com outra, e depois outra. Uma enorme confraternização entre a galera da música. Pra mim, a coisa mais normal do mundo.

Um belo dia estou no trampo e me liga meu suposto amigo, bufando, me ameaçando, dizendo que ia me matar e não sei mais o que. Um cara notavelmente descontrolado. Eu fiquei sem entender nada. Mas a motivação dele era a seguinte: “Fica longe do fulano. Você não vai roubar meu guitarrista”. Cara… naquela hora me subiu uma puta de uma raiva e um monte de sentimentos misturados. Primeiro eu fiquei pasmo como um cara podia agir daquele jeito, mas  a parte mais triste é que eu percebi que o que eu acreditava ser uma amizade, tinha acabado ali. Eu nem tentei argumentar de tão perdido que fiquei. O fato é que, confesso, fui pro fumódromo e comecei a chorar. Foi bastante duro. Meu grande amigo Cássio Homa ta de prova. Ele tava junto e me deu um ombro amigo.

Um tempo depois me liga a namorada do cara, gente fina pra caramba, pedindo desculpas por ele. Que era pra não ligar porq o cara era assim mesmo, era uma coisa meio de filho único que tinha ciúmes de tudo (inclusive dos amigos creio eu). Mas a merda já estava feita. Eu decidi ficar na minha e nunca mais falar com o cara. Sinceramente eu pensei comigo, eu não quero e nem preciso conviver com gente assim.

E os anos se passaram. Como disse no início quase dez anos. Então um belo dia dou de cara com o sujeito. Até tentei começar uma conversa falando algo como: “Po, quanto tempo. Sabe, ate hoje eu to sem entender o que aconteceu daquela vez”

E o camarada me sai com “É entao, pois é… eu também fiquei sem entender (cheio de sarcarmo) depois do que você fez…” Depois do que eu fiz? Eu não fiz absolutamente nada!

Bom… deixei por isso mesmo e deixei a conversa acabar ali e foi cada um pra um lado. Eu até tive um fio de esperança de poder esclarecer um assunto que me incomodava muito depois de tanto tempo. Mas percebi que não tinha jeito. Nesse dia fiquei mal, outra vez. Queria que um raio caísse na cabeça de um sujeito tão prepotente e sem noção.

Mas é melhor assim.  É por isso que hoje só escolho meus amigos de verdade, depois de muito tempo de convivência. As pessoas são loucas e a gente nunca sabe. O mais engraçado é que o sujeito tem amigos em comum comigo, que nem sonham com essa história surreal.

De qualquer maneira, me sinto leve depois de escrever isso. Coisa que estava guardada comigo depois de tanto tempo.

Verso

setembro 17, 2009

fundo

“Paixão absoluta
Sempre envolto
na fantasia de
sombras brancas e geladas
atrás das árvores do caminho
Para bem longe
da Estação quente
o frio me abraça
Agora não vejo mais nada
apenas as pernas
à caminho da escuridão
dos sapatos escarpins
Súbito desejo
Pés caminhando
pela bruma
Garrafas se estraçalham
o sangue não segura nas veias
Sai
para mudar a idéia de cor
e para salvar
a música não existe
sem ouvintes
espalhados em poças de sangue
dançando sem parar
Sons estranhos
Negros sons
O defeito efeito do absurdo
intransigente apocalíptico
Gritos no espaço
das idéias
que transformam
o mundo das idéias
blá-blá-blá
intermináveis discursos
Garotos das estradas
que buscam
aventuras impossíveis, cinematográficas
subtamente encontram
o fim do túnel
para sair do escuro
Passos
nas Estação do Trem
rumo à
Paixão Absoluta”

Isso mesmo. Aquele em espiral na contracapa do disco dos Cascavelletes. Parte da história do rock gaudério e da minha história também.

p.s.: Voltei.

Pai

agosto 9, 2009

Somos perfeitos idiotas, sempre. Até o fim da vida. É sempre assim. Nunca paramos por alguns instantes para refletir sobre o real significado que cada pessoa em nossa vida tem pra cada um de nós.

As pessoas vem e vão e, no fim, a lamúria é sempre a mesma. Uníssona. Não expressamos o que sempre quisemos expressar em função de uma vergonha burra e cruel. Um pudor que aperta o coração em todos os nosso dias.

Meu pai não cabe em palavras, nunca caberá. Nunca olhei nos olhos dele e falei que ele é meu exemplo. O homem que me faz ter orgulho de ser quem eu sou. Um homem que me deu um exemplo de honestidade, humildade e humanidade.

Meu pai é um exemplo de ser humano. Ele não sabe, mas sempre, todos os meus dias foi e será sempre meu herói.

Não lembro de nunca te-lo visto falando um palavrão ou praguejando contra alguém. Nunca. Absolutamente nunca.

Nunca conheci ninguém que não gostasse dele. Nunca conheci ninguém que não confiasse nele.

Pra mim ele é o homem mais lindo e puro desse planeta podre e cheio de animais disfarçados de seres humanos.

Eu iria pro inferno por ele. Morreria por ele.

Meu pai é uma pedra preciosa, um mistério, algo que, talvez aconteça uma vez em um milhão de anos.

Eu lembro do perfume dele, quando era criança. Lembro da voz, do carinho dele, mesmo que as vezes distante.

Um homem que trabalhou duro pra dar aos filhos uma vida decente. Um homem que suportou inimagináveis provações dentro da família.

Eu faço questão de dizer a todos que conheço que admiro meu pai pelo que ele é. Uma pessoa boa, forjada na simplicidade de um homem do campo.

Mesmo diante de todos os problemas nunca o vi triste, cabisbaixo. Sempre teve um força colossal, coragem e integridade. Uma rocha, cheio de ternura e cheio de mistérios. Feliz em seu mundo de coisas simples e modestas. Sem ganância, sem inveja, sem ciúmes.

Nunca o vi chorar, nunca. Quando seu pai morreu falei com ele ao telefone. Foi o dia mais triste da minha vida. Eu ouvi meu pai chorar e aquilo me cortou o coração de uma maneira inimáginavel. O homem que eu mais amo estava impotente, inconsolado e sentindo-se fraco. Falho. Por alguma coisa que não conseguia controlar. Ele apenas queria dizer que “fiz o que pude”.

Tudo o que eu queria era estar do lado dele pra dar todo o carinho e consideração que ele merecia naquela hora.

Me senti péssimo. Eu não tinha o direito de estar longe dele nessa hora pois ele esteve ao meu lado em todas as que eu precisei. Eu sei.

Pai, não é muito. Eu só consigo dizer que te amo. E que te quero feliz sempre. Mesmo longe tu está comigo, em todas as minhas decisões, em todos os meus pensamentos pois tu me ensinou a ser um homem bom.

Muita saudade…

——————–

Post de 2006.  Hoje é dia dos pais e vale repetir.

Cinema de ação

julho 31, 2009

Daniel Crê Que
Chris É O Dono.
Cary Garante.
Brad Fita
o que Bruce Lê.
Edward Nota
o que Audrey Tatua.
Greta Garba
o que Bette Deve.
Penélope Cruza,
Adrienne Corre e
Al… Patina.
Federico, Ferino
Pede que Gary Cole
em Ronald
Afinal,
Ronald Reina

Daniel Crê Que
Chris É O Dono.
Cary Garante.

Brad Fita
o que Bruce Lê.

Edward Nota
o que Audrey Tatua.

Greta Garba
o que Bette Deve.

Penélope Cruza,
Adrienne Corre e
Al… Patina.

Federico, Ferino
Pede que Gary Cole
em Ronald

Afinal,
Ronald Reina

Eu quero acreditar

julho 7, 2009

trending-topics

Cá entre nós… alguém ainda acha que os trending topics significam alguma coisa? (dá uma olhada na imagem ali em cima)

É a coisa mais suscetível a manipulção e flood que eu já vi na web nos últimos tempos.

Depois da palhaçada do #chupa, vitaminado pelo inocente Ashton Cushter, dá pra ver que trending topics não devem ser levados a sério. Uma pena. É um ótimo exemplo do que o mau uso pode fazer com um recurso que poderia ser muito útil.

#Picas pra internet…

Tchau

Olhos claros

julho 7, 2009

teu teimoso olho
insiste em brilhar
nesse espelho
profundo mar, azul, do olhar

em dias de cinza,
te sentes a apagar
não seja ranzinza!
és bela!

mesmo a amargar.

se te falta o dizer,
cala-te

tua maior decência
não está na tua palavra
mas nesse teu vivo em brasa
alinhavado em inocência

mas não te enganes, querida!
te põe a pensar
mesmo mansa, tu faz ferida
no incauto que cruzar

nesse teu caminho
de louros no cabelo
e pernas doces como o vinho

lembra-te
a palavra é teu flete
tua beleza
Essa é teu flerte

estas armada, boneca
sempre articulada
amada…

Do amor velado

julho 7, 2009

Em tanto tempo
Só agora
Levanta tua voz
Me derruba

 

Sumi
em teus gritos

Fali
em mim

Falhei
Chorei

eu-e-oracy

Pois é criançada, a vida anda bem difícil. Muitas decisões importantíssimas pra tomar e a cabeça a mil por hora. Não tenho tido muita paciência com o ato de blogar. Estou usando meu tempo ocioso para pensar, encontrar direções e tentar acertar em alguma coisa. Estou no meio da crise dos trinta e poucos. Mas seguindo a sabedoria popular, e o chavão, é na crise que as coisas acontecem. Enquanto isso fiquem com uma baita foto. Eu e meu estimado amigo Oracy Dorneles. Na ocasião recebi em mãos e com dedicatória seu belíssimo novo livro. Um tratado da poesia pra lá de especial.

E antes que alguém pergunte, segui o conselho de um sábio visitante do blog. Fui carpir um pátio.

De quebra um belo poema do próprio Oracy (bastante adequado a ocasião)

Póstumo 1

Hoje estive no meu túmulo
Retângulo de morte
Sim
Sujo barrento descascado baço

(chorei um oh! tenebroso)

Nem fui notado

Tive saudade de mim

Confissões

junho 23, 2009

pieces

Meu isolamento espiritual não foi exatamente como planejei. Se é que havia planejado alguma coisa.

É curioso e reconfortante a maneira como algumas pessoas mais sensiveis e próximas perceberam minha distância. Estava presente de corpo na maior parte do tempo, mas sempre fechado em um turbilhão de pensamentos tentando encontrar respostas para as perguntas que nem mesmo eu sabia quais eram.

Não consegui conversar com todos aqueles que gostaria sobre todos os assuntos que gostaria. Mas eu soube que, desde o principio, a distância geográfica e a volta à terra natal eram necessárias para uma viagem muito maior. Uma viagem interior pra tentar descobrir quem eu fui, quem eu sou e, acima de tudo, quem eu quero ser.

Descobri que sinto falta de pessoas que contam histórias, pessoas com memórias, pessoas interessantes e envolvidas com questões muito maiores do que as futilidades mundanas. Meus amigos e os círculos de convivência atuais que não se ofendam. Peço um mínimo de compreensão em uma hora tão complexa. Talvez todos eles tenham histórias pra contar, talvez todos eles tenham pensamentos acima do dia-a-dia e questoes existenciais e filosoficas intrigantes e latentes. Talvez seja minha única e exclusiva culpa não enxergá-los dessa forma. Eu percebi que tenho pavor de julgamento e, talvez, como defesa, saia julgando, condenando e sentenciando de antemão todos que passam por meu senso crítico enfurecido. Talvez não de chance alguma as pessoas para que contem suas histórias além das coisas fúteis e inúteis que permeiam as relacões pessoais e de trabalho de uma cidade tão grande e rica mas ao mesmo tempo tão vazia e patética. Vazia de valores humanos realmente interessantes. As conversas ficam nas futilidades e idiotices da rotina de uma metrópole humanamente morta. O trânsito, a chuva, as novidades tecnológicas que pouco acrescentam…

Sabe, me dei conta de como é idiota ficar postando babaquices supostamente “interessantes” no Twitter só pra cumprir tabela, pra tentar disfarcar-se de pessoa esclarecida e inteligente dentro de uma certa circunstância, apenas para fazer parte de um grupo o qual nem sei se realmente quero fazer parte.

Percebi que consumo minha energia tentando provar alguma coisa para as pessoas, que fico tentando me passar por algo que não quero ser. É incrível como em certas áreas de atuação e alguns lugares específicos aparecem necessidades e regras que pouco ou absolutamente nada acrescentam a ninguém.

Como disse antes, me dei conta que sinto falta de pessoas mais vivas, humanas. Por alguma razão, parece que me contentei em estabelecer relações que não ultrapassam o patamar da superficialidade e quem sabe até da medicridade. Eu sei que critico ferozmente muita gente, que julgo impiedosamente. Mas talvez eu tenha medo de me aprofudar em muitas relações justamente pelo pavor de também ser julgado, rejeitado.

Mas também aprendi da boca de alguém que admiro muito que tenho de me impor. Que preciso existir, acreditar em mim. Acho que já está mais do que na hora de me dar o crédito e deixar de acreditar que qualquer idiota que enche um currículo de mentiras ou se faz passar por sofisticado e interessante falando da exposição de arte contemporãnea que viu em algum cú de galeria da moda é mais do que eu. Descobri que me impressiono fácil demais com coisas desimportantes, com pessoas desimportantes. Tenho de parar de enxergar as pessoas de longe. Tenho de ver mais de perto pra saber exatamente quem são os idiotas e quem são aqueles que valem a pena.

Sabe… Talvez eu seja mesmo um artista como um espírito iluminado fez questão de me fazer ouvir. E eu sei que tenho negado isso com todas as minhas forças. Outra vez por medo de dar a cara pra bater. Medo de ser comparado com um monte de gente medíocre que se diz grande coisa mas não tem um pingo de sensibilidade. E eu sei que sensibilidade é algo que tenho de sobra. Talvez eu precise me permitir mais e deixar de dar ouvidos aos outros e, principalmente, a minha autocritica que praticamente me acorrenta ao chão toda vez que tento me expressar.

Também descobri que talvez eu tenha gasto muito da minha energia tentando fugir de uma relação complexa de mágoa dentro da minha família. Talvez o resultado de onde estou e quem sou hoje é fruto de um esforço imenso de fuga onde, em momento algum, parei pra pensar onde queria chegar. A única força que me movia era fugir. É triste e dolorido pois me dei conta que hoje mal consigo falar com minha família, me expressar, dizer o que sinto e pedir ajuda. Descobri que sofro com fantasmas horríveis do passado quando volto a casa onde cresci. Basta pisar ali e um mar revolto e crescente de ódio, frustracão e angústia me entorpece o pensamento e me deixa completamente paralisado. Fico calado. Apenas calado tentando entender tudo, sempre sem sucesso.

Eu preciso me aceitar. Talvez precise me descobrir. Quem sabe eu sou um artista de fato. Conversar com a Suzana me fez ver como é bom olhar tudo outra vez com os olhos de crianca, sem censura, sem o rancor negro que brota dentro de mim. Sem pré julgamento. É preciso deixar as coisas fluirem pra perceber pra onde se pode ir.

Eu não sei porque acabei indo por um caminho inverso. O caminho das coisas nas suas respectivas caixinhas, da balela da internet que vai mudar o mundo, das redes socias que são a luz do futuro e mais um monte de coisas que sim, sao interessantes, mas não fazem meu espírito faminto crescer um centímetro que seja. E aí eu pergunto. Em que parte do caminho ficou o prazer?

Meu trabalho atual é medíocre sim e, arrisco dizer, permeado de algumas pessoas medíocres. Medíocres não por opção ou ignorância. É uma mediocriadade irmã da minha inação. Uma mediocridade e permissividade do raso que é inconsciente. Isso por que tanto eu quanto alguns que me cercam se deixaram entrar no ritmo zumbi de uma grande cidade onde você tem de fingir quem você não é 24 horas por dia.

Talvez seja por isso que eu só encontre o prazer na confusão da embriaguez. Nas línguas soltas dos bares e nas madrugadas solitárias escrevendo poemas, anotando sonhos e buscando alguma coisa que não faço idéia do que seja.
Acho que estive me enganando por muito tempo. Talvez porque o lugar onde eu estou não me dê um mínimo espaço para ser um artista. Talvez eu tenha criado o eu tecnólogo como uma forma de me proteger. Ser aceito, sobreviver. Não sei. Talvez seja preciso me negar pra poder me aceitar.

A única coisa que sei é que não dá mais pra continuar onde estou. Mas tenho medo de arriscar justamente pelo pavor de não acertar e ter de voltar pra um lugar que hoje assim como pouco me conforta muito me apavora. Mas eu preciso acreditar em mim. Eu tenho de saber que sou capaz, que sem emprego ou trabalho ou o nome que seja não vou ficar.

Eu fugi até hoje. Acho que agora é hora de parar e me construir. Acho que isso já é um grande comeco. Difícil sim. Doloroso e terrivelmente agustiante. Mas necessário.

O que mais me abalou nisso tudo é me dar conta que eu tenho uma necessidade imensa de pessoas mas, por alguma razão, eu não dou chance a ninguém para que se aproximem e desnudem suas almas. Ou talvez eu esteja mesmo cercado de mediocridade. Talvez um pouco dos dois.

Eu preciso mudar minha postura em relação as pessoas para tentar reencontrar o prazer de encontrar. De outra maneira. Mas talvez as pessoas não tenham tempo pra relação ideal que imagino. Mas só sei que toda a mudança só pode e deve partir de mim. Apenas ainda não sei como.

Não suporto mais assuntos superficiais e mundanos versando sobre a vidinha cosmopolita e vazia da cidade grande. Eu quero almas. Eu tenho necessidade de alimento espirutual, de combustível criativo. Quero gente inteligente sem ser pedante e repetitiva. Eu quero gente que reflita, que tenha opinião e histórias próprias, escritas com o próprio sangue na própria carne. Não quero papagaios que fiquem repetindo frases, pensamentos, obras ou seja la o que for de outros. Eu não quero unanimidades e o censo certinho, educado e comum. Eu quero gente que tenha sangue vermelho e quente correndo nas veias.

Onde estão estas pessoas? Será que eu fiquei cego? Eu sei que só vou encontrá-las rompendo com meu mundinho confortável. Ou derrubando a muralha que construí a minha volta depois de tanto fugir.

Minha fuga desesperada e sem direção me levou à algum lugar. Um lugar que hoje eu tenho certeza absoluta de que é exatamente onde eu nunca quis estar. Ou o pior. Minha fuga me fez algo que eu nunca quis.

Talvez eu me foda e nunca encontre o que procuro. Talvez o idiota nessa história toda, o grande palhaço romântico e imbecil seja um só: eu mesmo.

Mas se não houver coragem eu nunca vou saber.

Dia desses estava pensando com meus botões e cheguei, tardiamente, a uma dura conclusão. A internet, e todas as revoluções que ela desencadeou em tantas instâncias no modo em que vivemos, é uma dádiva e de fato uma revolução. Mas pra quem ? A resposta é simples. Para uma minoria relevante em certos aspectos mas completamente irrelevante em tantos outros.

A internet em todo seu esplendor é consumida e produzida por um clube fechado. E sim, estou nesse pequeno clube, querendo ou não. E tomar consciência disso é, no mínimo, desolador.

Por mais que especialistas e pseudo intelectuais digitais encham e boca para falar de inclusão digital a grande verdade é que esta esta ligada intimamente a inclusão social. A inclusão digital é altruista e muito interessante. No papel (ou na tela).

O batalhão (ainda assim pequeno e inexpressivo) de trabalhadores, pesquisadores e profissionais de web que faz a roda girar trabalham para eles mesmos. Ficamos discutindo sobre a nova onda tecnológica do momento, sobre o Iphone, sobre o Twitter na capa da Time, sobre o impressionante framework x ou y e tantas outras coisas apenas entre nós. A imensa maioria (ok… é redundante, mas é pra dar impacto…) das pessoas comuns e de baixa renda desse país estão completamente fora desse universo composto por produtores e consumidores que são, quase sempre, pessoas de um bom padrão de vida, que nasceram em condições boas, tem um belo emprego, um bom salário, acesso a educação de qualidade e uma condição financeira acima do razoável.

Computadores de ponta, cartões de crédito internacionais (pra comprar gadgets, músicas  e livros nas lojas gringas), smartphones, GPSs e tantas outras coisas são produtos de luxo. 

As iniciativas tecnológicas que pipocam por aí, quase na sua totalidade, servem apenas pra facilitar a vida e dar mais vantagens e quem tem mais condições. O que me entristece é que não vejo iniciativas no sentido oposto. De resolver as questões mais básicas de uma grande parte das pessoas.

E quando a inclusão digital acontece timidamente, nós, os primeiros que deveriam erguer as maos aos céus, nos comportamos como idiotas, tal qual acontece na vida real. Ai pipocam sites como bobagens no orkut ou os piores perfis do orkut pra que possamos reafirmar aos mais “desqualificados” que “esse universo digital não é pra você”. Criticamos ferozmente a orkutização do Twitter, nosso brinquedo que começa a ser maculado. Não vou ser hipócrita, eu entro nesses sites pra rir da falta de conhecimento das pessoas que não tiveram uma educação e oportunidades tão boas quantos as minhas. Este sermão também serve pra mim. O que me alivia a culpa é que saí de um cidade do interior sem perspectiva alguma, filho de pais semi-alfabetizados com empregos simples, lutei e cheguei em algum lugar. Batalhei pelo meu espaço tanto no mundo real quanto no direto ao acesso e a participação nesse imenso universo paralelo que é a grande rede.

Todas essas conclusões, volta e meia, me dão calafrios pois percebo que a internet brasileira (sinceramente eu não sei como acontece nos outros lugares) é produzida e consumida por um bando de filhinhos do papai e da mamãe que nunca passaram nenhum tipo de necessidade na vida. E isso só contribui para que cada vez mais continuemos tratando o universo virtual como um terreno para poucos, sempre pensando em como podemos faze-lo melhor, apenas para nós e esquecendo de um monte de problemas que afetam muito mais pessoas do que nosso clube fechado.

Tratamos com propriedade de assuntos que não fazem a minima diferenca para uma maioria. Nos comportamos um pouco como os jornalistas que muitas vezes trabalham e escrevem para seu próprio reconhecimento e para um grupo fechado que só atende pelos proprios interesses. 

Basta conversar alguns minutos com um trabalhador desse Brasil pra perceber que ele não faz a miníma idéia de quem é Diogo Mainarid ou Reinaldo Azevedo assim como ele não faz a mínima idéia do que é o Twitter ou o Facebook. E se mostrassemos a ele todos esses sites, recursos e aplicativos ele provavelmente acharia tudo muito interessante mas terminaria concluindo que tudo isso não traz beneficio real algum pra ele.

Confesso que sempre tive vontade (ainda falta o planejamento) de trabalhar realmente em prol da verdadeira inclusão digital. Talvez escrevendo um livro em uma linguagem acessivel e pouco tecnica explicando como todo esse universo funciona e como cada um pode tirar proveito dele. Seria um livro distribuido gratuitamente claro, de preferencia impresso e não para ser “baixado”.

Dia desses saiu um livro colaborativo, escrito a varias mãos versando sobre  ”Como funciona  a internet”. O livro é bacana, interessante, mas foi escrito pelo pequeno clube que esta na internet. Para eles mesmos. Carregado de termos técnicos e coisas pouco práticas. Não estou dizendo que a iniciativa não foi legal. Mas falhou na questão básica que é mostrar a internet para quem está fora dela ou que pouco entende do assunto. Muitos assuntos no livro, linkando para verbetes em ingles. Uma lingua que ainda é privilégio dos bem nascidos que tem chance de viajar pra fora do país e  fazer seu cursinho de inglês bancado pelo papai.

Acho que está na hora de acordarmos e enxergarmos a internet como algo para todos e que sim, ela pode resolver questões relevantes para muito mais pessoas que não sejam do seleto grupo dos mauricinhos disfarçados de geeks munidos de seus possantes laptops e Iphones.

E você? Conhece alguma alguma iniciativa bacana na internet que não seja elitista? Conte sua história. O que acha disso tudo?

mapa-astral

Eu confesso que pequei. Contrariando absolutamente todo meu ceticismo implacável e feroz, aceitei o fato de me submeter a um ritual que fica entre as fronteiras da ciência e do esoterismo. É sabido, ao menos no que diz respeito aqueles que me conhecem, que sou um cético por natureza. Adorador da ciência e do conhecimento. Admirador cego de Carl Sagan e Arthur Clarke, entre tantos outros “profetas” da evolução do conhecimento humano.

Sim. Fiz o tão popular mapa astral.

O que me surpreendeu foi ouvir de uma pessoa que não sabia quase nada da minha trajetória, gostos, e tantas outras variáveis uma descrição bastante fiel de quem eu sou, ou ao menos penso que sou.

Mas o que me deixou de queixo caído e de certa forma maravilhado foi conseguir ouvir em palavras claras muitas coisas as quais eu sinto mas nunca consegui traduzir.

Apesar de macular minha imagem não pude deixar de considerar uma experiência assustadora e, por que não, libertadora.

Mesmo me condenando ao terreno do obscuro preciso confessar: recomendo.

Sobre livros é um assunto semelhante. Trata-se de um daqueles testes bobinhos que povoam a internet e que todos adoram fazer, mesmo que não admitam.

A questão é: Que livro você seria?

O resultado da brincadeira também me surpreendeu:

Em primeiro lugar:
Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

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Você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro… Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade – um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
“Memórias póstumas de Brás Cubas” (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.

Em segundo lugar:
A paixão segundo GH, de Clarice Lispector

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Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também “A paixão segundo GH”, obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.

p.s. Fiz questão de grifar algumas coisas que, juro, ouço com frequência.

E você? Que livro seria? Faça o teste aqui.

Post inspirado pelo mesmo assunto no blog da Vivian Dias

O texto abaixo (bem lá embaixo) é de autoria de Arnaldo Jabor.  Se não me engano deu as caras hoje, no segundo caderno do jornal O Globo.

O SEO do Globo não está lá essas coisas. Numa busca rápida, no Google, acabei surrupiando o texto de um blog terceiro que apareceu nos primeiros resultados.

Apesar do contexto ser completamente diferente, acredito que a questão cabe muito no que diz respeito a super exposição que os jovens tem hoje com a internet.  Ser feliz, aparentemente,  é aparecer. É marcar presença na grande rede mesmo que não se produza nada siginificativamente relevante. Mesmo que apenas na superfície.

Ainda sobre o assunto vi a manchete de capa da Revista da Semana que falava justamente sobre isso. Os jovens de hoje tem muito mais acesso a informação e muito mais exposição com os novos meios. Em alguns casos tem muito mais oportunidade e muito mais dinheiro mas não sabem o que fazer com isso.

Navegando por aí me deparo com muitos blogs de gente jovem, aparentemente bem sucedidos e que tem eco em suas vozes na rede com muitos seguidores no Twitter ou mesmo blogs “estabelecidos” e “conceituados”. Mas o que me causa um desconforto enigmático é como esses jovens constroem a sua própria imagem.  São jovens que nunca tiveram um trabalho digamos formal, mas abrem pequenos negócios, muitas vezes sem chance alguma de sucesso, e se auto intitulam “gerentes de projeto”, “diretores de criação”, “CEOs” e por aí vai. Títulos impensáveis para alguém que acabou de sair da faculdade há uns 10 anos atrás.

O que me intriga é se de fato os tempos mudaram ou se toda essa festa da era da internet tem nos levado cada vez mais a um mundo de aparências onde quem grita mais alto e com mais pompa consegue ser ouvido.

Talvez eu, um macacao velho com 33 anos na cara, não compreenda essa mudança. Talvez esteja enganado. Mas me preocupa muito a prepotência dos mais jovens como especialistas em generalidades. Prepotência alimentada dia-a-dia na velocidade da banda larga. Aliás, li um artigo interessante sobre conflito de gerações no Imasters em algum momento, que falava sobre a falta de conhecimento mais profundo sobre alguma coisa por essa nova geração. (Geração Navio Vs. Geração Submarino)

O que de fato me assusta é que uma era do imediatismo está cada vez mais tomando forma. Era da decisão rápida, impensada. Talvez nossa época permita isso ou talvez essa geração atual vá dar com a cara na parece em algum momento. Talvez falte equilíbrio entre coragem e ousadia (o que a nova geração tem de sobra) e experiência, paciência e ponderação.

O que assusta é que nas andanças digitais o que mais vejo é a total falta de domínio da comunicação. Da língua falada e escrita. Os jovens ousados e que gritam altgo no cyberspaço se auto denominando CEOs ou gerentes de projeto, tem dificuldades em articular frases que façam sentido dentro das regras do bom português. Disparam erros que ruborizam qualquer conhecedor mais próximo da gramática. Além de demonstrarem total despreparo e falta de planejamento. Mas talvez seja isso o que o mercado exige. Talvez não. Só o tempo irá dizer.

A questão começa com um texto do Jabor (que você le logo ali embaixo) que trata da felicidade da aparência. Por alguma razão consegui estabelecer uma relação estreitíssima com a realidade da internet e seus bravos navegantes. O que quero dizer é que atrás de uma tela de computador, com um layout modernoso e muitos amigos na lista de contatos, qualquer um parece importante, inteligente, esperto e bem sucedido. Mas na prática talvez as coisas sejam bastante diferentes.

Confesso que tenho inveja sim da impetuosidade dessa geração que mais do que tudo sabe vender seu passe e se autopromover da melhor maneira possível. Mas ao mesmo tempo essa mesma geração me assusta em função de suas deficiências gritantes em aspectos básicos mas não menos importantes. No que isso vai resultar só o tempo dirá pois o pior dos castigos, na grande rede, é o anomimato.

Agora, com a palavra, Arnaldo Jabor:

Ser feliz é parecer feliz

Ontem comecei um filme sobre a “busca da felicidade”, essa ideia fixa do Ocidente, transcrita até na Constituição americana. No filme, não trato da atual “bem-aventurança” atual, mas de uma felicidade “de época”, ao fim dos anos 50. Não havia ainda a abertura “psicológica” de hoje; a felicidade se encolhia pelos cantos de um cotidiano reprimido, temeroso de grandes alegrias, dentro e fora das famílias. Era quase feio demonstrar muito prazer, como se a risada fosse um luxo. Minha avó aconselhava: “Cachez votre bonheur” (esconda sua felicidade)… Era diferente do narcisismo compulsivo que vemos agora, com ricos, jovens e famosos expondo suas gargalhadas na mídia.

Felicidade muda com a época. Antigamente, a felicidade era uma missão, a conquista de algo maior que nos coroasse de louros, a felicidade demandava o sacrifício. A felicidade se construía. Hoje, felicidade é ser desejado, é ser consumido. Confundimos nosso destino com o destino das coisas. Uma salsicha é feliz? Os peitos de silicone são felizes?

Ja escrevi sobre isso e volto agora por causa do filme, ao examinar com fascínio as revistas mundanas. Olho com inveja e rancor as fotos dos afortunados, pois todos são mais felizes do que eu. Ser feliz é parecer feliz.

A dúvida e as dores da vida são ocultadas. Já houve tempo em que era chique não sorrir, já houve os olhos fundos dos existencialistas, a cara abatida dos beats, fotografias em que o espectador era olhado com desprezo acusatório. Hoje as celebridades parecem dizer: “Azar o teu por não estares aqui, ?seu? anônimo. Aqui, não há fracassos, não há o Inconsciente. Ninguém pode deprimir. Tristeza não é comercial.Tudo é claro e óbvio como nossas gargalhadas.”

Na felicidade industrializada, só o excesso é valorizado. Não há a contemplação elegante da delicadeza, nem a tradição de uma feliz sabedoria, de uma serenidade discreta. Nossa felicidade não é minimalista; está mais para uma imitação carnavalesca de Luiz XIV.

As personagens da mídia feliz vivem como se não houvesse armadilhas na existência; apenas o narcisismo óbvio é cultuado como sendo o ideal a atingir. Este conceito redobrou em força, depois que morreram os antigos agentes da dúvida, os socialismos e desbundes. Assistimos ao triunfo da caretice disfarçada de libertação.

As fotos dos deslumbrados e deslumbrantes não precisam de caricatura; elas se criticam sozinhas, elas são paródias de si mesmas.

“Estaremos aqui para sempre, eternos em nossas baladas e desfiles – parecem dizer -, conquistamos isto tudo, estes cães de luxo, estas sopeiras de porcelana, este vaso Ming falso.”

Muito importante é ver, nas fotos de milionários e colunáveis, a cenografia onde eles posam como peixes em aquários de luxo, orgulhosos de seus tesouros: as casas e eles mesmos.

Não se veem vestígios dark. Tudo é novo, tudo brilha, tudo é presente. Contra o decorrer do tempo, existem os make overs, jorros de silicone e bochechas de botox. Para essa gente, não houve crises e mudanças no mundo. Não houve anos 60, nem guerras quentes e frias, nem fraturas ideológicas, muros caídos, fim de utopias, nada. Não aprenderam nada e não esqueceram nada, como disseram dos Bourbon.

Nas fotos, só aparecem gestos e coisas que gritam: lustres de cristal, galgos de bronze com olhos de safira, mármores falsos, ouro de tolos, ninfas de marfim, objetos no estilo catete-gótico, ?barroco Teodoro Sampaio? ou ?Early Lar Center?, atacando a arte contemporânea numa blitz feroz.

A decoração dos ambientes é para eles ou eles são para a decoração? As pessoas combinam com a casa. Uma vez uma perua me perguntou como era o restaurante aonde iríamos, para botar uma roupa que combinasse. É extraordinário como para eles tem de haver continuidade no mundo, uma coisa puxando a outra, numa lógica que começa num elefantinho de prata e acaba na ideia de Deus.

Em muitas fotos parece não haver figura e fundo. Há fotos em que os eternos felizes posam orgulhosos diante de seus retratos, criando um efeito narcísico de espelhos infinitos. Quem está ali? A dona ou o retrato?

Tudo ali é controlado pela ideia de simetria total. O abajur tem seu par, o castiçal tem seu par, o marido abraça a mulher em perfeita perspectiva com as duas colunas romanas que os ladeiam e todos os pecados se apagam ali no sereno tapete e no brasão do jaquetão de comodoro. Tudo passa a ideia de autossuficiência, de ilha de paz e tranquilidade, realização do ideal de casa, contra a rua do mundo. São abrigos contra o mundo, são abrigos antiatômicos num estilo rococó que resiste a todos os avanços do bom gosto; ali, pode-se viver, andar de cavalinho de plástico na piscina e rolar no veludo durante qualquer catástrofe econômica ou política. Nada os atingirá.

Os “venturosos” contemporâneos não se contentam em mostrar seus bens, caras e bocas; se sentem tão acima de nós, que adoram exibir e justificar qualquer vício, perversão ou vexame que cometam. Não há mais nada a esconder; ao contrário – eles têm o prazer de ostentar uma mentirosa autoconsciência, como se tivessem controle sobre o que são. “Ah… sim, eu já me prostitui muito, sim, eu gosto de transar em mictórios públicos, sim, me excita até ver cenas de crimes ou chacinas – me sinto liberado… sabe? Mas, tudo numa boa, sacou? Sou livre e maduro.”

Mas, afinal, temos liberdade para desejar o quê? Bagatelas, mixarias, uma liberdade vagabunda para nada, para rebolar o rabo em revistas, uma liberdade fetichizada, produto de mercado disfarçado de revolta de festim. Somos livres dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, recordes sexuais, sucesso sem trabalho, a fama em vez do merecimento. Não precisamos fazer nada ou saber nada. Basta aparecer, pois o pior castigo é o anonimato.

No futuro (se houver algum…), essas colunas e revistas de ricos e famosos serão uma valiosa contribuição para a semiologia da nossa caretice.

Chorei

maio 5, 2009

Cheguei aqui
Hoje

Chorei
por ti
por mim

como criança
em descrença
frio
de esperança

Chorei
o medo
sem culpa
se é amor

Chorei
sofrido
sabido

gigante na dor
pequeno em tanto amor

morre
nos braços do desejo
num último suspiro
de gozo sorrateiro

Chorei hoje
Pelos outros

amores

por odiar
ser
um

chorei por ti

Chat

maio 5, 2009

Mensageiro sem rosto
ao pé do teclado
engole o desgosto
e envia meu fardo

até o outro lado
poema perene
chat letrado
pelo msn

solto, cyber
no espaço
comedido
na tua dor

No chuveirinho

abril 29, 2009

nochuveiro

Estava pensando aqui com meus botões. Agora que a onda é verde, como é que ficam as mulheres no quesito mastubação?

Reza a lenda que o chuveirinho sempre foi infalível.

Desperdiçar água por prazer? Mais politicamente incorreto impossível. Como faz?

Que saia justa não?

Sugestões para um substituto auto sustentável nos comentários.

Para a salvação do prazer feminino.

Ah! Moleque!

abril 19, 2009

Já que o assunto do dia é batera, recebi esse vídeo do Cris. Tony Royster Jr fazendo um puta solo. Está com 12 anos de idade…  Se eu fosse batera, depois de ver isso, queimava minha bateria e ia tocar caixinha de fósforo… Se liga no vídeo, o moleque até tem uma técnica ninja de tocar no cimbalo de baixo pra cima!

Deve ter um pacto com o diabo…

Aqui tem uma performance dele com uns vinte e poucos, aparentemente

O cara é um fenômeno. O site dele tá aqui pra quem quiser saber mais: http://www.tonyroysterjr.com/

Também tem o Myspace do maluco: http://www.myspace.com/officialtonyroyster

Nas minhas andanças pelo espaço virtual acabei encontrando uma coisa muito legal. Achei a idéia genial. Um batera italiano pegou vários temas bastante conhecidos, desde música de seriados de tv até ópera e música erudita, e inventou de acompanhar na batera. Ficou muito bacana. Achei uma forma inteligentíssima de divulgar seu talento no instrumento assim como puxar brasa pro assado do trabalho próprio. E tudo isso sem recorrer a técnica que muitas pessoas adotam no universo da internet pra se auto promoverem.

Eu explico. Tem uma pá de gente que não escreve em blogs, twitta, toca,desenha ou seja lá o que for de forma pouco espontânea. Agem como urubus. Seus twits, desenhos, fotos, whatever são pautados pelo que está bombando no momento. Faz-se assim por que os buscadores hoje são uma baita ferramenta de visibilidade se você fizer a coisa certa na hora certa. E não precisa muito esforço, basta dar uma checada no Google Insights for search pra saber o que as pessoas estão procurando.

Nesse cenário fica muito fácil e aparecer na grande rede de computadores onde todo mundo pode ter seus 15 minutos ou mais de fama.

Mas voltando ao assunto legal. Dá uma conferida nas músicas do Andrea Vadrucci:

O Barbeiro de Sevilha

Acompanhando um cena do filme Tenacius D!

Guilherme Tell

Tema do Super Mário

Tema dos Simpsons

In The Name of  God (mostrando que sabe mesmo, tocando Dream Teather!)

Show de bola hein?

O site do Andrea está aqui e,  pelo que entendi, esta aqui é banda dele: Cosmica. É um rock progressivo, bem bacana até.

Só para constar

abril 13, 2009

É nítido e claro o sentimento que tenho em relação aos nossos “queridos” jornalistas desse nosso Brasilzão.  Se você costuma frequentar este blog já deve ter percebido a explícita antipatia. Caso contrário, verá que, na barra de categorias, existe uma tag sabiamente chamada jornaleiros, que trata destes profissionais que caminham a passos largos rumo a extinção da profissão como hoje se conhece.

Longe de mim querer rebaixar a categoria dos nossos queridos profissionais que vendem jornais, revistas, cigarros, chicletes e mais um monte de coisas nas suas banquinhas pelas esquinas. É só uma tentativa bem humorada de tentar colocar o terrível e monstruoso ego dos jornalistas no seu devido lugar.

De uns tempos pra cá comecei a categorizar minha falta de empatia pelos fulanos em categorias. Dependendo do nicho de atuação ele recebe mais ou menos desprezo. Mas nunca deixa de receber algum tipo de represália moral.

Caminhando por esse terreno arenoso, comecei a perceber os piores tipos. Um dos piores me foi revelado pela Lele. Até então nunca tinha atentado à classe. Provavelmente pelo fato de não ter o costume de ler editorias ou mesmo veículos inteiros dedicados a tal “cultura”. Cheguei a conclusão que o jornalista cultural é o mané dos manés. O negócio é o seguinte, jornalismo cultural é coisa que qualquer macaco pode fazer. Qualquer um pode sair por aí dando seus pitacos sobre música, artes plásticas e o caralho a quatro. Basta estar bem informado pra não falar nenhuma asneira de grandes consequências.

A maravilhosa internet  tem toda, ou quase toda, a informação necessária pra falar sobre alguma coisa. Principalmente quando o assunto é cultura. O tal jornalista cultural ganha uma grana pra escrever papo de boteco.  Opinião sobre cultura é que nem bunda, todo mundo tem uma. Pior que o jornalista de cultura é o crítico de cultura. Se bem que crítico, em qualquer área, é um baita de um cuzão. É aquela velha história.  Quem sabe mesmo, faz. Quem não sabe, fica lambendo saco ou descendo a lenha e aí, vira crítico.

Uma das poucas classes que admiro são os jornalistas de tecnologia, esses sim estão sempre bem informados e, geralmente, não são jornalistas, são entusiastas, consumidores e, principalmente, produtores de teconologia. Acho que esse é o grande diferencial. Os caras que escrevem sobre tecnologia, ao menos os que podem ser levados a sério, são caras que colocam a mão na massa. Sabem fazer e sabem do que estão falando. É uma grande  e bem vinda mudança. Mal comparando é como colocar um músico pra falar (escrever) de música. O camarada vai ter muito mais repertório e possibilidades na hora de ficar dando pitaco.

Ai eu pergunto… por que razão 10 em 10 gostosas/modelo/atriz/apresentadora/(preencha aqui…) cheias de “talento” que aparecem na televisão ou algo parecido sempre falam que seu sonho é cursar jornalismo? Ou, na pior das hipóteses, já estão cursando. Isso é ou não é um nítido sinal de decadência da profissão? Por que nunca falam em engenharia, química, medicina ou até algo mais ameno como gastronomia…?

Por enquanto é isso. Parte da revolta provem da minha cagada em ter comprado na banca uma Rolling Stone que me ludibriou pela capa. Achei que a revista inteira era dedicada ao Kurt Cobain e ao Nirvana e tomei no rabo. Era uma edição comum que saiu com duas capas. Me senti enganado. Quero meu dinheiro de volta.

Malditos jornalistas.